Remoção de carbono no Brasil: do potencial à escala
Como o CDR avança no país e quais condições ainda são necessárias para expandi-lo com qualidade e integridade.
A necessidade global de reduzir as emissões de gases de efeito estufa para limitar o avanço das mudanças climáticas o quanto antes não é novidade, ainda mais quando eventos climáticos extremos se tornam mais frequentes. No entanto, mesmo com reduções profundas nas emissões, todos os cenários do IPCC que limitam o aquecimento a 1,5°C incluem algum nível de remoção de CO₂. E vai além: caso o limite de 1,5°C seja ultrapassado, ainda que temporariamente, a única forma de trazer a temperatura à normalidade será atingida a emissão líquida negativa, quando se remove mais CO₂ do que emite. Por isso, Remoção de Dióxido de Carbono ou Carbon Dioxide Removal (CDR, na sigla em inglês) não é relevante apenas para "fechar a conta" das emissões residuais, mas também para, no futuro, reverter parte do aquecimento já ocorrido.
O CDR consiste em soluções que retiram CO₂ da atmosfera — seja diretamente do ar ou por via biogênica, como na fotossíntese — e o armazenam de forma durável. Elas vão desde métodos convencionais como o florestamento, reflorestamento até alternativas tecnológicas, como a captura e armazenamento de CO₂ para bioenergia (BECCS, na sigla em inglês).
Principais critérios para que uma solução seja considerada como CDR:
- Origem atmosférica ou biogênica: o carbono deve ser retirado da atmosfera, ou da biomassa vegetal, e não de fontes fósseis;
- Permanência/ Durabilidade: o carbono removido deve permanecer armazenado por um período de décadas a milênios, para compensar o longo tempo de permanência do CO₂ na atmosfera quando emitido
- Adicionalidade: a remoção deve resultar de uma intervenção humana adicional e intencional, não apenas de um processo natural não manejado. No mercado de carbono, créditos de remoção são considerados adicionais quando a remoção depende do financiamento de carbono para acontecer.
No entanto, vale destacar que as remoções não substituem a necessidade atual de redução das emissões, devido a uma correlação importante: quanto mais reduzirmos emissões agora, menos dependeremos de remoções naturais ou tecnológicas por CDR no futuro. A remoção de carbono não é um recurso ilimitado. No caso do Brasil, por exemplo, ela depende de disponibilidade de terras para florestamento e reflorestamento, resíduos da biomassa, áreas elegíveis para armazenamento geológico, obtenção de rochas silicáticas de pedreiras ou áreas de mineração. Por isso, não se deve planejar níveis irreais de expansão dessas tecnologias, como se o CDR fosse uma solução mágica para combater as mudanças climáticas.
Na realidade, as soluções de CDR devem ser utilizadas para zerar as emissões residuais, aquelas que restam quando um setor ou atividade já chegou ao seu limite de descarbonização. No entanto, sabemos que o tempo de maturidade para implementação das soluções tecnológicas de CDR pode ser maior comparado a outras soluções de remoção. Esse cenário demonstra a urgência pela ampliação de estudos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), viabilidade econômica, previsibilidade regulatória, condições habilitadoras, salvaguardas e métodos de monitoramento, relato e verificação. Afinal, será o equilíbrio entre a redução de emissões por descarbonização e a remoção de carbono via CDR, que nos levarão a atingir emissões líquidas negativas.
Nem sempre a captura e o armazenamento de CO₂ promovem uma remoção de carbono — ou seja, nem sempre o a Captura e Armazenamento de Carbono (CCS, na sigla em inglês) pode ser chamado de CDR. Isso porque, quando o CCS captura emissões na fonte, antes que sejam liberadas na atmosfera — como em usinas de energia ou fábricas de cimento —, ele evita que um carbono novo, de origem fóssil, chegue à atmosfera, mas não retira o carbono que já está lá. Por isso, nesses casos, o CCS costuma ser classificado como uma forma de redução de emissões, e não de remoção.
Essa diferença se torna especialmente importante quando o assunto é Recuperação Avançada de Petróleo ou Enhanced Oil Recovery (EOR, na sigla em inglês), processo que captura o CO₂ da produção petrolífera e reinjeta em poços para aumentar a eficiência da extração do óleo. Na prática, o carbono capturado é utilizado para viabilizar a extração de mais petróleo, prolongando a dependência e o uso desse combustível fóssil.
No Brasil, essa diferenciação se torna ainda mais crítica, uma vez que no portfólio de soluções de baixo carbono ainda predominam projetos de Captura e Armazenamento de CO₂ fóssil, e o EOR acaba sendo confundido com CDR. Devido ao elevado grau de desenvolvimento do setor, principalmente no que diz respeito a P&D, o setor petrolífero brasileiro ainda detém a maior concentração de projetos de CCS de origem fóssil no país. Esse cenário acaba custando caro para o clima, a natureza e as pessoas, adiando a transição para longe dos combustíveis fósseis¹.
Apesar disso, o Brasil tem potencial para escalar soluções de CDR tanto baseadas na natureza quanto tecnológicas, sem depender da recuperação de CO₂ fóssil e com possibilidades de aplicação em múltiplos setores da economia.
Esse potencial não está relacionado apenas à sua disponibilidade de recursos naturais e à capacidade técnica instalada, mas também a um perfil econômico favorável, à existência de capital humano e institucional qualificado e à posição de liderança política e simbólica que o país ocupa na agenda climática internacional. Em conjunto, essas características permitem vislumbrar condições particularmente favoráveis para o desenvolvimento e a expansão de um portfólio diversificado de soluções de CDR. Se escaladas de forma complementar às estratégias de descarbonização e ao arcabouço já existente de recuperação de áreas degradadas, restauração e conservação, essas soluções podem desempenhar um papel essencial para que o Brasil alcance suas metas climáticas e avance em direção à neutralidade de emissões até 2050.
Algumas das vantagens brasileiras para desenvolver tecnologias CDR
Diferentemente do restante do mundo, onde predominam as emissões provenientes da queima de combustíveis fósseis no setor energético, no Brasil o setor de Agricultura, Florestas e Outros Usos da Terra (AFOLU, na sigla em inglês) ocupa posição central. Em 2024, o setor de Uso da Terra, Mudança do Uso da Terra e Florestas respondeu por 42,2% das emissões brutas nacionais de gases de efeito estufa, enquanto o setor da Agropecuária representou outros 29,2%. Juntos, eles concentraram mais de 70% das emissões brasileiras².
Esse perfil brasileiro de emissões também abre oportunidades para o país, que já possui um conjunto de soluções para remoção de carbono baseadas na natureza e em práticas de manejo. Entre elas, estão a restauração florestal e o aumento do estoque de carbono no solo por meio de práticas sustentáveis, incluindo o plantio direto, a rotação de pastagens e os sistemas integrados de produção.
Ao mesmo tempo, algumas tecnologias que já eram conhecidas vêm ganhando espaço e novas perspectivas de escala, como o Intemperismo Acelerado de Rochas (ERW, ou Enhanced Rock Weathering, na sigla em inglês) e o biochar. Esse movimento é impulsionado não apenas pelo potencial dessas soluções em contribuir para a remoção de carbono, mas também pelos seus cobenefícios para os sistemas produtivos, como a melhoria da qualidade e fertilidade dos solos, o aumento da produtividade e o fortalecimento da resiliência às mudanças do clima, além do crescente interesse associado ao desenvolvimento dos mercados de carbono.
Da mesma forma, a bioenergia com captura e armazenamento de carbono (BECCS) vem recebendo maior atenção no país, à medida que avançam projetos-piloto e iniciativas associadas à produção de biocombustíveis e biomassa agrícola. Do ponto de vista de recursos naturais, o Brasil reúne uma combinação particularmente favorável de condições para desenvolver e escalar as tecnologias de Biochar, ERW e BECCS: agricultura em grande escala, elevada disponibilidade de biomassa e resíduos agroindustriais, recursos minerais, uma matriz elétrica majoritariamente renovável e formações geológicas com potencial para armazenamento permanente de CO₂. Essas vantagens são uma oportunidade estrutural para o país escalar não apenas uma solução de CDR, mas um portfólio de soluções de remoção de carbono da atmosfera.
No caso do biochar, uma das principais vantagens é a disponibilidade de resíduos agrícolas e florestais, como bagaço e palha de cana-de-açúcar, casca de café, casca de arroz, entre outros resíduos florestais. Em vez de serem tratados somente como resíduos, esses materiais podem ser convertidos através do processo de pirólise em uma forma estável de carbono e posteriormente aplicados ao solo como fertilizante natural. Isso permite conectar o CDR a uma agenda mais ampla de bioeconomia e circularidade, com a possibilidade de criar fontes de valor para cadeias produtivas e produtores rurais. No Brasil existem projetos que utilizam a biomassa advinda de pequenos produtores para produzir biochar e gerar créditos de carbono com a atividade, enquanto o produto final é utilizado como insumo agrícola pelo próprio produtor, diminuindo os custos com o manejo e contribuindo para o aumento da produtividade no campo.
Para o ERW, as vantagens brasileiras são ainda mais específicas. A tecnologia consiste na aplicação superficial de rochas silicáticas moídas, como o basalto, que em contato com água da precipitação ou irrigação, sofre reações químicas que transformam o CO₂ da atmosfera em bicarbonato, e transporta-o para fundo de rios e oceanos pelo processo de percolação. O clima tropical quente e úmido do Brasil acelera essas reações químicas, enquanto a disponibilidade de áreas agrícolas cria um o ambiente perfeito para a aplicação da tecnologia. A grande quantidade de pedreiras e atividades de mineração no país representam uma vantagem adicional, por servirem como fonte de rochas especificas para o ERW.
Tanto o biochar quanto o ERW podem contribuir, dependendo das condições do solo e do material empregado, para melhorar características como disponibilidade de nutrientes, retenção de água e acidez do solo. Esses benefícios podem aumentar a atratividade para o produtor rural na medida em que contribuem para redução de insumos agrícolas convencionais. Esse aspecto ganha relevância estratégica em um país que importa mais de 80% dos fertilizantes que utiliza, uma dependência que expõe o setor agrícola brasileiro a preços e riscos do mercado internacional3. Além das soluções baseadas na terra, como o biochar e o ERW, o Brasil também reúne vantagens comparativas relevantes para o BECCS, apoiadas em sua já consolidada cadeia de biocombustíveis. Essa rota ganha relevância sobretudo no setor de transportes, que permanece fortemente dependente de fontes fósseis: em 2025, enquanto as fontes renováveis representaram 86,8% da matriz elétrica brasileira, no setor de transportes elas corresponderam a apenas 26,1% do consumo de energia4.
Nesse cenário, o BECCS permite estocar um carbono já absorvido pela fotossíntese durante a produção de etanol, representando uma oportunidade concreta de transição para redução do consumo de combustíveis fósseis para o setor. Há ainda uma vantagem estrutural nessa solução: a fermentação para produção de etanol gera um fluxo de CO₂ biogênico de alta pureza, o que simplifica a etapa de captura e reduz os custos associados a remoção do CO2.
Quando esse CO₂ biogênico é capturado e armazenado permanentemente no subsolo, o sistema pode gerar um saldo líquido negativo em emissões na produção do biocombustível. Mas essa condição não é dada como certa: a integridade climática de BECCS depende de todo o ciclo de vida da matéria prima, a biomassa. A expansão das culturas agrícolas e de seus resíduos não pode, por exemplo, ser proveniente de áreas de desmatamento ou conversão de ecossistemas naturais que anulem os benefícios obtidos com a remoção. Muito pelo contrário, os resíduos devem vir de áreas consolidadas, ou degradadas que passaram por recuperação e estejam cumprindo os requisitos legais estabelecidos em lei perante código florestal brasileiro.
Outra vantagem do Brasil para o BECCS é geológica: o país possui bacias sedimentares promissoras para armazenamento, distribuídas por diferentes regiões, entre elas Paraná, Espírito Santo, Campos, Santos e Parecis. Soma-se a isso o conhecimento já acumulado sobre o subsolo e experiência em reinjeção de CO₂ nas operações de extração de petróleo do pré-sal. Vale ressaltar novamente que o EOR em si não configura uma solução de CDR, já que seu objetivo está associado à produção de petróleo, mas gera competências técnicas e capacidades tecnológicas que podem ser transferidas e adaptadas para o armazenamento permanente de CO₂ biogênico.
Todas essas inúmeras vantagens citadas fazem com que a oportunidade brasileira em CDR vá muito além da possibilidade de geração e comercialização de créditos de carbono no mercado internacional. Para além disso, a agenda de CDR pode estimular pesquisa e desenvolvimento, circularidade na bioeconomia e agricultura, empregos verdes no campo, benefícios agroecológicos e ainda contribuir para a soberania nacional. No entanto, vale ressaltar que potencial não garante escalabilidade.
Para transformar vantagens naturais do território em uma cadeia de remoções de alta integridade será necessário tratarmos temas como viabilidade econômica, previsibilidade regulatória, condições habilitadoras, salvaguardas e métodos de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV) dessas remoções. No Brasil, o ecossistema já está se movimentando, e o país já vem implementando algumas iniciativas de CDR para biochar, ERW e BECCS, podendo servir como modelo de como essas vantagens naturais podem virar negócios e contribuir com a remoção de carbono da atmosfera.
Iniciativas e projetos de CDR no Brasil
O ecossistema brasileiro em CDR, embora emergente, já apresenta diversas iniciativas em estágios diferentes de maturidade: alguns em fase de pesquisa e desenvolvimento, outros como projeto-piloto sob regulação experimental, e alguns operando em escala comercial, inclusive com emissão de créditos de carbono certificados no mercado voluntário.
A iniciativa mais marcante de CDR para o setor de bioenergia é o projeto de BECCS associado à planta de produção de etanol de milho da Fuel Sustainability, em Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, que utilizará a Bacia do Perecis para armazenar o CO₂ biogênico. Uma das vantagens desse projeto é a proximidade entre o sítio de armazenamento e o local da captura, diminuindo as emissões e os custos logísticos do transporte – com viabilidade geológica para armazenamento já confirmada. O projeto recebeu financiamento expressivo do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e serve como teste da regulação experimental conduzida pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) sobre projetos de CCS, demonstrando como o país também começa a avançar em financiamento e política pública para CDR.
Se o BECCS mostra o Brasil avançando no eixo energético, é no eixo agrícola que o ERW e biochar ganham protagonismo. No caso do ERW, o avanço é puxado por empresas como a InPlanet e a Terradot. A InPlanet, responsável pela primeira emissão de créditos de carbono de ERW no mundo certificados pelo padrão Isometric, atua principalmente no estado de São Paulo, aplicando pó de rocha em plantações de cana-de-açúcar, em áreas de citricultura e até em pastagens degradadas, o que demonstra a viabilidade da tecnologia em diferentes solos e usos. Seus projetos contam com acordos de compra antecipada da Microsoft e da Frontier, coalizão formada por companhias como Google e Salesforce. Já a Terradot anunciou com o Google, em 2026, aquele que é considerado o maior projeto de ERW já realizado no mundo: mais de 200 mil hectares de cultivo de arroz no Rio Grande do Sul receberão pó de rocha para acelerar processos naturais de intemperismo e remover CO₂ da atmosfera. Como parte do acordo, o Google se comprometeu a adquirir 1 milhão de toneladas de remoção permanente de carbono até 2040, sua maior contratação do tipo até o momento, e o projeto prevê ainda 1 milhão de toneladas de impacto associado à redução de emissões de metano na rizicultura até 2030. Juntos, esses casos mostram o potencial do Brasil para receber empreendimentos de ERW em escala de megatoneladas e reforçam o papel dos contratos internacionais de compra antecipada (offtakes) como mecanismo para viabilizar a expansão e a redução de custos dessas tecnologias no país.
Quanto ao biochar, a NetZero opera quatro plantas comerciais no Brasil, a maioria em Minas Gerais e todas utilizam a casca de café como matéria-prima. Os agricultores envolvidos são simultaneamente fornecedores de biomassa e usuários do biochar produzido. O projeto de Lajinha, por exemplo, trabalha com mais de 400 produtores de café, dos quais 80% são pequenos produtores com menos de 20 hectares5. O caso ilustra como o CDR pode trazer benefícios socioeconômicos para o produtor, na medida em que reduzem os gastos com insumos agrícolas, quanto agroecológicos, utilizando um insumo natural para aumentar a produtividade.
Nem todos os negócios brasileiros de CDR, porém, já alcançaram esse grau de maturidade — e é justamente para essa lacuna que programas de apoio externo têm direcionado esforços. Um exemplo é o programa de aceleração da América Latina desenvolvido pela remove, organização sem fins lucrativos especializada que atua como aceleradora e ecosystem builder em CDR e que já opera programas na Europa, na Índia e na África. Este programa oferece ao longo de oito meses, treinamentos com especialistas sobre mercados de carbono e políticas de CDR relevantes para a América Latina, perspectiva dos compradores e MRV. Startups selecionadas podem ainda receber offtakes de 15 mil euros, sinalizando como o financiamento para o CDR também começa a se estruturar em torno de negócios ainda em fase pré-comercial na região.
Esses casos mostram que o Brasil já saiu do campo teórico: há projetos em operação, toneladas sendo verificadas e compradores internacionais assumindo compromissos de longo prazo. Mas a existência de pioneiros não significa um setor maduro, e é exatamente o preenchimento dessa lacuna que definirá os próximos anos. O desafio agora não é mais provar que o CDR funciona no Brasil, e sim construir as condições para que funcione com integridade e em escala.
Para além do biochar, ERW e BECCS: DACCS e remoção baseada no oceano
Ainda que o portfólio brasileiro de CDR esteja hoje concentrado em soluções baseadas na terra, o país também começa a dar os primeiros passos em rotas tecnológicas de captura direta do ar (DAC/DACCS) e em soluções baseadas no oceano, como o Aumento de Alcalinidade Oceânica ou Ocean Alkalinity Enhancement (OAE, na sigla em inglês) e a captura e armazenamento direto de carbono oceânico. Essas soluções ainda são pouco exploradas no país, mas já existem iniciativas em estágio inicial que sinalizam o potencial de diversificação do portfólio nacional de remoções.
No caso do DACCS, o Brasil já conta com dois projetos ativos. O primeiro, uma parceria entre a empresa alemã DACMA e a espanhola Repsol, colocou em operação em Porto Alegre um sistema industrializado de captura direta do ar no campus da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), com capacidade de captura anual de 300 toneladas de CO2, representando a primeira instalação desse tipo na América do Sul. O projeto avança a partir de um protótipo ativado em abril de 2024, e a DACMA já sinaliza planos de expansão para uma capacidade de 5.000 toneladas de CO₂ por ano em um novo projeto na Bahia, com estudo de viabilidade já concluído.
O segundo projeto é nacional: a CarbonAir Energy, startup incubada na COPPE/UFRJ (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro), lançou em parceria com o LARHCO/UFRJ (Laboratório de Reatividade de Hidrocarbonetos, Biomassa e Catálise da Universidade Federal do Rio de Janeiro) um módulo de captura direta desenvolvido inteiramente no Brasil, capaz de remover até 5 kg de CO2 por dia — o equivalente a mais de uma tonelada por ano. A tecnologia utiliza materiais adsorventes, materiais capazes de reter moléculas em sua superfície, à base de biomassa brasileira, e o CO₂ capturado é destinado inicialmente à produção de combustível de aviação de baixo impacto ambiental. O projeto conta com financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Já as soluções baseadas no oceano — como o OAE, que consiste na adição de minerais alcalinos à água do mar para aumentar sua capacidade de absorver CO₂ atmosférico — permanecem, por ora, um campo praticamente inexplorado no Brasil, apesar da extensa costa do país e do potencial teórico de escala dessas tecnologias. É uma fronteira que deve ganhar atenção à medida que o mercado de CDR amadurece e novos atores internacionais buscam locais com condições favoráveis para pilotos.
Explore mais: É preciso expandir a remoção de carbono de forma responsável – mas o que isso significa? | WRI Brasil
6 conclusões do relatório do IPCC de 2022 sobre mitigação das mudanças climáticas | WRI Brasil
Transporte de carga: quanto custa eletrificar a frota? | WRI Brasil