Compreender as negociações da Conferência das Partes (COP) - principal encontro global sobre mudanças climáticas da ONU - exige familiaridade com diversos termos e siglas, como NDC, Artigo 6 e GCF. Para facilitar o entendimento das discussões e ajudar você a acompanhar os avanços do Acordo de Paris, reunimos neste glossário os principais conceitos usados nas conferências do clima.

O IPCC elaborou um glossário técnico reunindo os termos políticos das negociações. Acesse clicando aqui.  

 A  

Acordo de Paris: acordo internacional sobre mudanças climáticas no âmbito da UNFCCC. Foi adotado na COP21 de Paris, em 2015, e entrou em vigor em 4 de novembro de 2016. 

Adaptação: estratégias que auxiliam comunidades e ecossistemas a suportarem a mudança do clima e os seus efeitos. 

Artigo 6: seção do Acordo de Paris que permite a cooperação internacional para atingir metas de redução de emissões (NDCs), por meio da comercialização de créditos de carbono.   

Agenda de Ação: responsável por transformar compromissos em ações concretas, integrando ações de atores não estatais aos processos da UNFCCC e promovendo a implementação, a cooperação e o reforço da ambição climática global. 

B 

Bancos Multilaterais de Desenvolvimento (MDBs): instituições supranacionais que trabalham em conjunto com governos e setor privado para desenvolver planos de investimento e projetos de mitigação ou adaptação em países em desenvolvimento. 

Baku to Belem Roadmap: plano de ação para aumentar o financiamento climático, conectando as negociações da COP29 - com a meta de US$ 300 bilhões anuais - ao objetivo de alcançar US$ 1,3 trilhão por ano até 2035, na COP30 em Belém. 

BTR (Relatórios Bianuais de Transparência): documento submetido à UNFCCC a cada dois anos, em que cada país signatário do Acordo de Paris informa seu progresso em financiamento e demais ações climáticas, como emissões de gases de efeito estufa, políticas de mitigação e adaptação. 

C 

COP: a Conferência das Partes é a reunião anual das 198 Partes que aderiram à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), um tratado ambiental internacional adotado em 1992 para estabilizar as emissões globais de gases de efeito estufa. 

Compromisso de Sevilha: busca tornar o sistema financeiro global mais inclusivo, com maior transparência, coordenação internacional e participação da sociedade civil. Para isso, estabelece medidas que aliviam a pressão da dívida sobre países vulneráveis e ampliam o uso de instrumentos financeiros inovadores, como conversões de dívida e suspensão de pagamentos em crises.  

Contagem dupla: prática que o Artigo 6 busca evitar. Ocorre quando dois países recebem crédito pela mesma redução de emissões, criando a falsa impressão de que o mundo cortou mais emissões do que realmente ocorreu. Exemplo: um país vende créditos de carbono a outro e, ao mesmo tempo, contabiliza essas reduções em sua própria NDC. 

E 

Economia de baixo carbono: modelo econômico que busca reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) em todos os setores produtivos. Baseia-se na transição para fontes de energia limpas, no uso eficiente de recursos e em tecnologias sustentáveis, promovendo crescimento econômico com menor impacto climático. 

Emissões líquidas zero (net zero): situação em que um país não gera emissões líquidas - seja porque as eliminou totalmente, seja porque remove da atmosfera uma quantidade equivalente ao que emite. A maioria dos estudos científicos sugere que o mundo precisa atingir emissões líquidas zero de CO₂ e reduzir drasticamente as emissões de outros GEE até 2050 para cumprir as metas do Acordo de Paris. 

F 

Financiamento climático: recursos financeiros destinados a apoiar ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Inclui investimentos públicos e privados, nacionais e internacionais, voltados a projetos de energia limpa, infraestrutura resiliente, conservação ambiental e apoio a países vulneráveis aos impactos climáticos. 

G 

Governança climática: conjunto de processos e estruturas que orienta decisões e políticas para enfrentar as mudanças climáticas, envolvendo governos, sociedade civil, setor privado e organizações internacionais. Ela busca promover mitigação e adaptação, garantindo coordenação, transparência, participação e responsabilidade na ação climática. 

GCF (Fundo Verde para o Clima): fundo internacional que apoia ações de mitigação e adaptação climática em países em desenvolvimento. Em 10 anos, já mobilizou mais de US$ 18 bilhões em projetos. 

GGA (Meta Global de Adaptação): compromisso coletivo do Acordo de Paris para fortalecer a capacidade de adaptação, a resiliência e reduzir a vulnerabilidade das nações às mudanças climáticas. 

GST (Balanço Global): criado para medir o progresso coletivo dos países rumo ao cumprimento do Acordo de Paris e de suas metas de curto, médio e longo prazo. 

H 

HLCC (Campeões de Alto Nível do Clima): líder nomeado a cada COP para atuar como ponte entre governos e sociedade civil, articulando ações climáticas por parte de empresas, cidades, regiões e instituições financeiras, a fim de apoiar os governos no cumprimento das metas do Acordo de Paris. 

I 

IPCC: o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas é um organismo científico que avalia, de forma rigorosa e imparcial, as informações sobre mudanças climáticas. Ele foi criado pela ONU em 1988 e reúne cientistas de todo o mundo para produzir relatórios que orientam políticas públicas e decisões globais. 

J  

JTWP (Programa de Trabalho de Transição Justa): item de negociação que tem como objetivo facilitar a transição justa dos países para um futuro de baixas emissões e resiliência climática, por meio de ações que também contribuam para a redução das desigualdades 

L 

Livro de Regras de Paris: conjunto de regras e diretrizes para a implementação do Acordo de Paris. O acordo original, adotado em 2015, define o que os países devem alcançar em mitigação e adaptação, enquanto o livro de regras especifica como devem cooperar para atingir um futuro de baixo carbono e alta resiliência climática. 

LTS (Estratégia Climática de Longo Prazo): documento formal usado pelos países para comunicar seus planos de desenvolvimento de longo prazo com baixas emissões. Elas são essenciais para alcançar emissões líquidas zero, limitar o aquecimento global e prevenir alguns dos piores impactos das mudanças climáticas.

M 

Mitigação: esforços que buscam reduzir ou remover as emissões de gases de efeito estufa. 
 
Mercado de carbono: sistema que permite a compra e venda de créditos de carbono, gerados pela redução ou remoção comprovada de emissões de gases de efeito estufa. Pode ser voluntário - quando os protagonistas são atores privados interessados em reduzir suas emissões para cumprir metas internas de sustentabilidade, por exemplo - ou regulado - quando entes nacionais ou subnacionais estabelecem, por meio de legislação, limites à emissão de gases de efeito estufa para setores da economia e autorizam a comercialização de créditos. Cada crédito representa uma tonelada de CO₂ equivalente. 

N 

NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada): plano de ação climática de curto e médio prazo assumido por uma Parte do Acordo de Paris. As NDCs descrevem metas e políticas de redução de emissões e planos de adaptação. 

NCQG (Nova Meta Quantificada Coletiva): instrumento destinado a definir uma nova meta financeira para apoiar os países em desenvolvimento em suas ações climáticas, convocando todos os atores a trabalharem pela mobilização de US$ 1,3 trilhão em financiamento climático internacional. 

P  

Parte: país ou bloco de países (como a União Europeia) que aderiu a um acordo internacional, como a UNFCCC ou o Acordo de Paris.  

Perdas e danos: impactos das mudanças climáticas que não podem ser evitados ou adaptados, como a perda de comunidades costeiras, ecossistemas ou patrimônio cultural. Embora afetem todos os países, o Mecanismo Internacional de Varsóvia (WIM) foi criado para apoiar especialmente as Partes mais vulneráveis, como pequenos Estados insulares e países menos desenvolvidos (Least Developed Countries – LDCs). 

Presidência: país que assume a liderança política e preside as reuniões da COP. A presidência é alternada entre cinco grupos regionais das Nações Unidas: Grupo Africano, Grupo Ásia-Pacífico, Grupo da Europa Oriental, Grupo da América Latina e Caribe (GRULAC) e Grupo da Europa Ocidental e Outros (WEOG). 

R 

Retirada: processo formal de saída do Acordo de Paris. Apenas um país - os Estados Unidos - iniciou esse processo. Sob nova liderança, o país pode enviar uma comunicação informando o retorno ao tratado internacional, que entra em vigor 30 dias depois. 

Resiliência climática: capacidade de sistemas naturais, sociais e econômicos de resistir e se recuperar dos impactos das mudanças climáticas. Envolve reduzir vulnerabilidades, fortalecer a capacidade de resposta e promover o desenvolvimento sustentável, mesmo diante de eventos climáticos extremos. Não deve ser confundida com adaptação, que consiste em medidas implementadas para construir resiliência. 

S 

SBs (Órgãos subsidiários): corpos técnicos responsáveis por apoiar na implementação (SBI) e no assessoramento técnico-científico (SBSTA) das decisões a serem negociadas no âmbito das COPs e da UNFCCC. 

T 

TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre): países que preservam suas florestas tropicais serão recompensados financeiramente por fundos de investimentos globais, o que torna a conservação economicamente vantajosa, gerando desenvolvimento social e econômico. 

U 

UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima): acordo internacional estabelecido em 1992 para coordenar esforços globais no combate às mudanças climáticas. Seu objetivo final é estabilizar as concentrações de GEE na atmosfera para evitar interferências humanas perigosas no sistema climático, reconhecendo a vulnerabilidade de todos os países, especialmente os em desenvolvimento.