Apesar de avanços, ambição dos novos planos climáticos nacionais ainda está aquém do necessário
Embora as NDCs mais recentes prevejam cortes de emissões mais profundos do que as de 2015, ainda estão aquém da ambição necessária para limitar o aquecimento global a 1,5 °C ou 2 °C. Políticas mais robustas são necessárias para garantir que os países cumpram suas metas.
Monitorando as NDCs
Os países estão atualmente no processo de submissão de suas novas NDCs.Esta análise considera as contribuições enviadas até 09 de novembro de 2025.Acompanhe as atualizações mais recentes das NDCs no ClimateWatch do WRI.
O ano de 2025 marca um momento decisivo para a ação climática. Os países estão apresentando novos compromissos nacionais — conhecidos como Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) — que definirão o rumo do progresso climático global até 2035.
Esses novos compromissos revelam o grau de ambição dos países na redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE), na transformação de suas economias e no reforço da resiliência diante de ameaças crescentes, como eventos climáticos extremos, incêndios florestais e inundações. Juntas, essas metas determinarão até onde o mundo pode chegar para limitar o aumento da temperatura global e evitar os piores impactos da crise climática.
O ano de 2025 marca um momento decisivo para a ação climática. Os países estão apresentando novos compromissos nacionais — conhecidos como Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) — que definirão o rumo do progresso climático global até 2035.
Mais de 100 países, responsáveis por mais de 70% das emissões globais, já apresentaram suas novas NDCs. Os demais devem fazê-lo durante a COP30. Essas submissões representam avanços em relação aos compromissos anteriores, e muitos países em desenvolvimento lideram o caminho com metas mais robustas. Ainda assim, a ambição coletiva permanece aquém do necessário para manter o aquecimento global dentro de limites seguros, segundo análises do WRI e das Nações Unidas.
Analisamos as submissões feitas até o momento para oferecer um retrato atualizado de como os planos climáticos nacionais estão se configurando — e o que eles revelam sobre o caminho que temos pela frente.
Quantos países apresentaram novas NDCs?
Sobre as NDCs
As NDCs são fundamentais para conter as mudanças climáticas. Elas descrevem como cada país contribuirá para os objetivos globais definidos pelo Acordo de Paris, incluindo as reduções de emissões necessárias para limitar o aquecimento a menos de 1,5°C–2°C. 2025 marca a terceira rodada de NDCs desde a adoção do tratado, em 2015, com metas que se estendem até 2035. Esses novos planos devem refletir os resultados do Balanço Global de 2023 — a primeira revisão abrangente do progresso climático mundial —, que fez um chamado por cortes mais profundos de emissões e ações mais rápidas em setores-chave como combustíveis fósseis, energias renováveis, transporte, florestas, adaptação e resiliência. Saiba mais.
Pelo cronograma do Acordo de Paris, as NDCs de 2025 deveriam ter sido apresentadas em fevereiro. Até 09 de novembro, 108 países haviam submetido suas novas metas, cobrindo 71% das emissões globais.
Entre os países do G20 — os maiores emissores de gases de efeito estufa do mundo —, 12 apresentaram novas NDCs: Austrália, Brasil, Canadá, China, União Europeia, Indonésia, Japão, Rússia, Turquia, África do Sul, Reino Unido e Estados Unidos. (Os Estados Unidos, entretanto, anunciaram sua intenção de se retirar do Acordo de Paris a partir de janeiro de 2026, embora sua NDC continue oficialmente registrada junto à UNFCCC.) Muitos países menores e em desenvolvimento também avançaram.
Os países restantes devem apresentar suas novas NDCs na Conferência do Clima da ONU (COP30), em novembro de 2025.
Qual o impacto das novas NDCs na redução da lacuna de emissões?
Em comparação com as metas anteriores para 2030, as NDCs submetidas até agora provocaram apenas uma redução modesta na lacuna de emissões projetada para 2035 — isto é, a diferença entre o nível de emissões necessário para limitar o aquecimento global a 1,5 °C e o nível esperado com base nos planos climáticos nacionais.
Se plenamente implementadas, as novas "NDCs incondicionais" (aquelas que não dependem de apoio internacional) devem reduzir as emissões em 3,2 gigatoneladas de CO₂ equivalente (GtCO₂e) até 2035, em comparação com os níveis de 2030. Isso deixaria um hiato de 28 GtCO₂e para manter o aquecimento em 1,5 °C.
Quando consideradas também as NDCs condicionais (que dependem de apoio internacional), a redução projetada sobe para 3,8 GtCO₂e, reduzindo o hiato para 24,4 GtCO₂e.
Em outras palavras, as NDCs submetidas até o momento representam menos de 14% da redução adicional necessária até 2035 para fechar a lacuna e manter o aquecimento global dentro do limite de 1,5 °C.
Qual é a projeção de aquecimento indicada pelas novas NDCs?
No ano passado, projeções globais estimavam que, caso os países cumprissem suas NDCs, o mundo estava a caminho de um aquecimento de 2,6°C-2,8°C até o fim do século. Segundo o Relatório sobre a Lacuna de Emissões da ONU de 2025, as novas NDCs indicam uma leve melhora nessa perspectiva: se os países implementarem integralmente seus compromissos atuais, o aquecimento pode ser limitado a 2,3°C-2,5°C até 2100. Ainda assim, muito acima da meta do Acordo de Paris de manter o aquecimento dentro de 1,5°C-2°C.
Essas projeções também consideram que os países terão as políticas e o financiamento necessários para tirar as promessas do papel. Com as leis e medidas existentes, o mundo continua avançando rumo a um aumento catastrófico de 2,8°C – um patamar de aquecimento que traria danos generalizados a ecossistemas, tempestades, incêndios, inundações e ondas de calor mais extremas, além de riscos crescentes à segurança hídrica e alimentar em todo o mundo.
Como se comparam os planos climáticos de países específicos?
Entre os países que já apresentaram novas NDCs, o Reino Unido se destaca por sua meta ambiciosa de reduzir as emissões em 81% em relação aos níveis de 1990 até 2035. Essa rápida redução ao longo da próxima década colocaria o país no caminho para atingir emissões líquidas zero até 2050, com base em taxas realistas de implantação de tecnologias e mudanças ambiciosas, porém viáveis, nos padrões de consumo e comportamento empresarial.
A União Europeia pretende, até 2035, reduzir suas emissões entre 66,25% e 72,5% em relação aos níveis de 1990. Alcançar a porcentagem máxima desse intervalo (72,5%) é essencial para permanecer no caminho do limite de 1,5°C, segundo análise do WRI. Isso também apoiaria uma transição mais suave e realista rumo à meta do Conselho da UE de reduzir emissões em 90% até 2040 e atingir o zero líquido até 2050. Por outro lado, uma redução de apenas 66,25% até 2035 exigiria esforços muito mais acentuados e desafiadores nos últimos cinco anos antes de 2040.
A China se comprometeu com uma redução de emissões de 7% a 10% até 2035 em relação ao seu pico de emissões. É a primeira vez que a China estabelece uma meta absoluta de emissões para toda a economia, abrangendo todos os gases de efeito estufa, e sinaliza claramente um declínio das emissões após o pico. O país também anunciou diversos compromissos setoriais para apoiar essa transição. As tendências atuais indicam que a China pode superar sua meta de 2035, dado o rápido desenvolvimento das tecnologias limpas. O país já registrou uma queda anual de cerca de 1% nas emissões no primeiro semestre de 2025, e análises recentes indicam que as emissões de CO2 estão estáveis ou em declínio há pelo menos 18 meses. Além disso, energias renováveis, baterias e veículos elétricos (VEs) hoje representam aproximadamente um quarto do crescimento econômico chinês.
A NDC da Indonésia afirma que o país atingirá o pico de emissões até 2030 e, depois, cair para entre 1,26 e 1,49 GtCO2e até 2035, dependendo do crescimento econômico e do apoio internacional. Embora essas projeções representem um avanço, ambos os cenários são de uma redução relativamente lenta ao longo da próxima década. Como resultado, a Indonésia precisaria alcançar reduções mais rápidas e profundas após 2035 para atingir sua meta de zero líquido até 2060 ou antes.
Outros países, como Japão e Estados Unidos, adotaram uma abordagem “linear” rumo à neutralidade climática. Isso significa que, se traçassem uma linha reta até sua meta de emissões líquidas zero (por exemplo, 0 GtCO₂e em 2050), suas metas intermediárias para 2030 e 2035 seguiriam essa trajetória, refletindo uma redução constante das emissões a cada ano. O Japão pretende cortar 60% das emissões em relação aos níveis de 2013 até 2035, enquanto os Estados Unidos se comprometeram com uma redução de 61% a 66% em relação a 2005 no mesmo período. Essa abordagem linear — em contraste com reduções mais acentuadas no curto prazo — ainda pode levar à neutralidade até meados do século, mas corre o risco de comprometer as metas globais de temperatura por consumir mais rapidamente o orçamento global de carbono.
Apesar da retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris e da reversão de diversas políticas climáticas federais, sua NDC ainda pode orientar ações climáticas em níveis estaduais, municipais e locais. Muitas dessas instâncias já se mobilizaram em torno da nova NDC e mantêm o compromisso de avançar rumo às suas metas.
O Brasil apresentou uma faixa de metas de redução de emissões em sua NDC, comprometendo-se a diminuir entre 59% e 67% das emissões em relação a 2005 até 2035. Uma redução de 67% colocaria o país no caminho para alcançar a neutralidade climática até 2050, enquanto uma redução de 59% ficaria abaixo dessa ambição. Ainda não está claro qual dessas metas o governo pretende adotar, o que deixa em aberto o nível real de ambição do país. A NDC também não define orçamentos de carbono setoriais (como para energia, transporte ou agricultura), que ajudariam a esclarecer como o país pretende atingir suas metas globais de emissões. No entanto, o Brasil se comprometeu a elaborar esses planos setoriais posteriormente.
O Canadá fez apenas um ajuste marginal em sua meta, passando de 40%-45% de redução até 2030 para 45%-50% até 2035, em comparação com os níveis de 2005. Essa meta fica aquém da recomendação do Conselho Consultivo de Neutralidade do Canadá, que sugere uma redução de 50%-55% até 2035 e alerta que qualquer valor abaixo de 50% pode comprometer o cumprimento da meta legal de emissões líquidas zero até 2050. O país também trabalha para reduzir as emissões de metano em mais de 35% até 2030, incluindo uma redução de 75% no setor de óleo e gás em relação a 2012.
Metas de redução de emissões apresentadas pelos principais emissores até agora:
| País | Meta anterior de redução de emissões para 2030 | Nova meta de redução de emissões para 2035 | Ano para atingir o zero líquido |
|---|---|---|---|
| Austrália | 43% (em relação aos níveis de 2005) | 62%-70% (em relação aos níveis de 2005) | 2050 |
| Brasil | 53,1% (em relação aos níveis de 2005) | 59%-67% (em relação aos níveis de 2005) | 2050 |
| Canadá | 40%-45% (em relação aos níveis de 2005) | 45%-50% (em relação aos níveis de 2005) | 2050 |
| China | Mais de 65% de redução de intensidade de carbono em relação a 2005 | 7%-10% em relação ao pico | 2060 |
| União Europeia | 55% (em relação aos níveis de 1990) | 66,25%-72,5% (em relação aos níveis de 1990) | 2050 |
| Indonésia | Redução de 31,89% (incondicional) e 43,2% (condicional) nas emissões projetadas para 2030 | Atingir 1258-1489 MtCO2e | 2060 |
| Japão | 46% (em relação aos níveis de 2013) | 60% (em relação aos níveis de 2013) | 2050 |
| México* | Redução de 35% (incondicional) e 40% (incondicional) nas emissões projetadas para 2030 | 364-404 MtCO2e (incondicional) 332-363 MtCO2e (incondicional) | 2050 |
| Rússia | 70% (em relação aos níveis de 1990) | 65%-67% (em relação aos níveis de 1990) | 2060 |
| África do Sul | 350-420 MtCO2e | 320-380 MtCO2e | 2050 |
| Coreia do Sul* | 40% (em relação aos níveis de 2018) | 53%-61% (em relação aos níveis de 2018) | 2050 |
| Turquia | 41% em relação às emissões projetadas para 2030 | Atingir 643 MtCO2e | 2053 |
| Reino Unido | 68% (em relação aos níveis de 1990) | 81% (em relação aos níveis de 1990) | 2050 |
| Estados Unidos | 50%-52% (em relação aos níveis de 2005) | 61%-66% (em relação aos níveis de 1990) | 2050 |
*México e Coreia do Sul anunciaram metas gerais de redução até 2035, mas, até o dia 9 de novembro de 2025, ainda não haviam submetido oficialmente suas NDCs.
Como os países com altas emissões estão abordando setores-chave como energia, florestas e transportes?
Estabelecer metas e medidas específicas para setores altamente emissores, como energia, florestas e transportes, é essencial para impulsionar o progresso concreto na implementação das metas climáticas. Essas definições orientam governos, empresas e instituições financeiras sobre onde a ação e os investimentos são mais urgentes para alcançar os objetivos do Acordo de Paris.
Tais medidas são particularmente importantes entre os países do G20, que influenciam cadeias globais de valor, definem padrões internacionais e direcionam grandes volumes de capital público e privado para soluções de baixo carbono.
À medida que mais países do G20 apresentam suas novas NDCs, começa a surgir um quadro mais claro de como estão incorporando ações setoriais específicas em seus compromissos climáticos.
Energia
Apenas alguns países do G20 estabeleceram metas claras para geração elétrica renovável. O Reino Unido, por exemplo, se comprometeu a alcançar pelo menos 95% de eletricidade limpa até 2030. A Austrália estabeleceu a meta de 82% de eletricidade renovável no mesmo período. Outros países — incluindo Canadá, Brasil e Rússia — sinalizaram planos para expandir a energia limpa, mas sem definir metas quantitativas. A China anunciou que, até 2035, a participação de fontes não-fósseis em seu consumo interno de energia ultrapassará 30%, além de aumentar em seis vezes a capacidade instalada de energia eólica e solar em relação a 2020. A África do Sul estabeleceu como meta instalar 44 GW de nova capacidade de energia renovável até 2035.
Enquanto isso, o avanço na transição para longe dos combustíveis fósseis segue desigual. O Reino Unido já eliminou o uso de carvão na geração de energia e se comprometeu a consultar a sociedade sobre o fim de novas licenças de exploração de petróleo e gás. Canadá e Austrália trabalham para encerrar a geração a carvão até 2030 e 2040, respectivamente. A UE visa descarbonizar amplamente seu setor de energia na década de 2030, sem espaço para novas usinas a carvão. A Rússia posiciona o gás natural como combustível de transição, enquanto o Brasil estimula a substituição de combustíveis fósseis por biocombustíveis sustentáveis e eletrificação.
No entanto, isso ainda é insuficiente: o foco segue concentrado na eliminação do carvão — especialmente entre as economias desenvolvidas —, enquanto o petróleo e o gás recebem menos atenção. Sem planos claros e com prazos definidos para a redução de todos os combustíveis fósseis, o avanço das energias limpas pode não ser suficiente para reduzir as emissões absolutas na velocidade necessária para alinhar-se às metas do Acordo de Paris.
Transportes
Apenas trêrs países do G20 incluíram metas claras para veículos de emissão zero em suas NDCs. O Reino Unido adotou uma norma que exige que 80% dos novos carros e 70% das novas vans sejam de emissão zero até 2030, alcançando 100% até 2035. O Canadá, por sua vez, implementou o Padrão de Disponibilidade de Veículos Elétricos, que exige 100% das vendas de veículos de emissão zero até 2035. A UE estabeleceu como meta que todos os carros, vans e ônibus urbanos novos sejam de emissão zero até 2035.
Já na Austrália, o Padrão de Eficiência para Veículos Novos do país, lançado em 2024, introduz limites decrescentes de emissões para veículos novos a partir de 2025, visando reduzir a intensidade das emissões em cerca de 60% para veículos de passageiros e pela metade para veículos comerciais leves até 2030. Já a NDC da China prevê que os VEs dominarão as vendas de veículos novos até 2035.
Florestas
A maioria dos membros do G20 inclui medidas de uso da terra e florestas em suas NDCs, mas a abrangência e especificidade das metas variam de forma significativa.
Alguns estabeleceram metas quantitativas de restauração e sumidouros de carbono. O Brasil se comprometeu a eliminar o desmatamento ilegal e ampliar iniciativas de restauração, com metas de recuperação de milhões de hectares de florestas até 2030 e 2050. Canadá e Estados Unidos prometeram proteger e conservar 30% de suas terras e águas até 2030, enquanto a Estratégia para a Natureza 2024–2030 da Austrália busca conter e reverter a perda de biodiversidade até o mesmo ano. A China comprometeu-se a expandir significativamente suas florestas até 2035, e a Indonésia quer restaurar dois milhões de hectares de turfeiras e reabilitar 8,3 milhões de hectares de terras degradadas até 2030.
Países como Turquia e Rússia fizeram promessas mais amplas de conservação, sem estabelecer metas quantificadas. Apenas dois países do G20 (Japão e África do Sul) não incluem metas ou medidas específicas relacionadas a florestas em suas NDCs.
Tendências observadas nas NDCs apresentadas até agora
Diversas tendências adicionais começam a emergir nas novas NDCs. Embora as submissões feitas até o momento ofereçam insights valiosos, ainda não representam o quadro completo — será necessário uma análise mais aprofundada conforme mais países apresentem suas NDCs até a COP30, em novembro.
1) Quase todas as novas NDCs incluem medidas de mitigação até 2035, e metade define metas de redução de emissões em toda a economia.
Com exceção de Niue, Venezuela e Zâmbia, todas as NDCs apresentadas até agora incluem novas medidas de mitigação até 2035.
A maioria (102 de 108) expressa suas metas de 2035 como objetivos de redução de emissões. As exceções são Cuba, Bolívia e Nicarágua, que incluíram medidas setoriais. Cuba, por exemplo, comprometeu-se a aumentar a geração de energia renovável e melhorar a eficiência energética até 2035.
A maioria (102 de 108) expressa suas metas de 2035 como objetivos de redução de emissões. As exceções são Cuba, Bolívia e Nicarágua, que incluíram medidas setoriais. Cuba, por exemplo, comprometeu-se a aumentar a geração de energia renovável e melhorar a eficiência energética até 2035.
Setenta e um países estabeleceram metas de alcance econômico total, cobrindo todos os setores e gases de efeito estufa, conforme recomendado pelo Balanço Global de 2023 (Global Stocktake). A nova meta da China, por exemplo, abrangerá, pela primeira vez, todos os setores e gases, o que representa um passo importante, já que as NDCs anteriores do país consideravam apenas o CO₂ — embora as emissões não relacionadas ao CO₂ da China já a coloquem entre os 10 maiores emissores do mundo.
Pelo Acordo de Paris, os países desenvolvidos são obrigados a submeter metas de redução para toda a economia, enquanto os países em desenvolvimento são encorajados a avançar gradualmente nessa direção.
2) A maioria dos países não fortaleceu suas metas para 2030.
Apesar das evidências científicas e das decisões da ONU que recomendam metas mais ambiciosas até 2030, apenas 15 dos 108 países (14%) reforçaram seus compromissos de redução de emissões para 2030. Entre eles estão Etiópia, Santa Lúcia, Nepal, Moldávia, Jamaica e Montenegro, entre outros. Por exemplo, Montenegro revisou sua meta de redução de emissões para 2030 de 35% para 55% e estabeleceu 60% para 2035, em relação aos níveis de 1990.
Vale destacar que nenhum dos países mais ricos, altamente emissores e desenvolvidos reforçou suas metas de 2030 — apesar de possuírem maior capacidade e responsabilidade de liderar a redução global de emissões.
3) A maioria dos países fortaleceu suas medidas de adaptação.
Diante dos impactos climáticos cada vez mais severos, 61 dos 108 países definiram compromissos mais robustos de adaptação em suas novas NDCs, mantendo uma tendência observada nas rodadas anteriores. Muitos estão priorizando ações de adaptação em setores como sistemas alimentares e hídricos, saúde pública e soluções baseadas na natureza.
Por exemplo, o Equador, particularmente vulnerável a chuvas intensas e inundações, priorizou ações para fortalecer a resiliência dos recursos hídricos, da saúde humana, dos assentamentos e do patrimônio natural. O Canadá, que enfrentou incêndios florestais devastadores nos últimos anos, destacou sua Estratégia Nacional de Adaptação, que fornece um arcabouço para resiliência a desastres, biodiversidade, saúde pública e infraestrutura.
4) Países em desenvolvimento continuam liderando no reporte das necessidades de financiamento em suas NDCs
Entre os 108 países com novas NDCs, 41 países em desenvolvimento reportaram necessidades financeiras específicas para implementar seus planos, totalizando até agora US$ 2,8 trilhões. Esse dado segue uma tendência observada em rodadas anteriores, em que a grande maioria das necessidades financeiras reportadas vem consistentemente de países em desenvolvimento.
Dez países, incluindo Equador, Barbados, Tailândia e Tonga, reportaram necessidades de financiamento pela primeira vez em 2025, enquanto 11 aumentaram suas estimativas em relação às NDCs anteriores. Os maiores aumentos vieram de Angola, cujas necessidades saltaram de US$ 44 bilhões para US$ 412 bilhões (cerca de 89% dependentes de apoio internacional), e do Paquistão, cuja demanda de recursos subiu de US$ 241 bilhões para US$ 565 bilhões.
Esses números evidenciam a necessidade urgente de financiamento escalável e previsível para apoiar os objetivos climáticos dos países em desenvolvimento. Ao mesmo tempo, o total de necessidades financeiras provavelmente está subestimado, considerando que apenas cerca de metade dos 61 países incluiu dados de custos. Isso reforça a importância de maior transparência e suporte no planejamento do financiamento climático.
5) Cada vez mais países incorporam a “transição justa” em suas NDCs
Em comparação com rodadas anteriores, mais países agora mencionam explicitamente o conceito de “transição justa” em suas NDCs. Noventa e dois (80%) dos documentos apresentados até o momento incluem o conceito, que visa garantir ações equitativas e inclusivas em direção a sociedades de baixo carbono e resilientes ao clima. Para isso, é fundamental que, além de referências pontuais, os países detalhem esforços específicos de transição justa que já estão em andamento ou foram planejados. Muitas nações, como a Colômbia, Sri Lanka, Essuatíni e Reino Unido, dedicam seções inteiras de suas novas NDCs ao assunto.
Os países também estão definindo a “transição justa” de maneira mais clara e especificando onde ela é mais relevante para suas ações climáticas nacionais. O Brasil menciona explicitamente trabalho decente e empregos de qualidade. Bangladesh, Quirguistão e Maurício destacam o desenvolvimento de políticas, estruturas e comissões para avançar ações internas de transição justa. Países como Moldávia, Azerbaijão e Emirados Árabes Unidos falam da importância de capacitações e treinamentos para apoiar trabalhadores e jovens. Embora o setor de energia continue sendo o principal foco nas discussões sobre transição justa, alguns países também incorporam áreas como água, agricultura, resíduos e adaptação climática.
6) Países reconhecem a importância da ação local
Algumas NDCs também reconhecem o papel crítico de atores subnacionais, como cidades, estados e regiões, na definição e implementação das ações climáticas. De acordo com a ONU-Habitat, o número de NDCs avaliadas com propostas urbanas robustas e focadas em resultados quase dobrou desde o último ciclo, evidenciando uma clara valorização do papel das cidades na mitigação e adaptação.
Mais de 50 das novas NDCs vêm de países que endossaram a Coalizão para Parcerias Multiníveis de Alta Ambição (CHAMP), uma iniciativa para fortalecer a colaboração entre governos nacionais e subnacionais no planejamento e implementação de medidas para o clima. Como parte desse compromisso, 77 países e a UE se comprometeram a consultar e integrar prioridades subnacionais em suas NDCs.
O Brasil, por exemplo, destaca um instrumento chamado “federalismo climático”, concebido para apoiar a integração da ação climática no planejamento e na tomada de decisão em todos os níveis de governo. De forma semelhante, a Colômbia reconheceu o papel dos governos subnacionais no planejamento e implementação de medidas para mitigar e se adaptar às mudanças climáticas em sua NDC.
O que vem a seguir para as NDCs?
Embora alguns países ainda não tenham submetido seus compromissos, a narrativa já está clara: as novas NDCs não colocarão o mundo no caminho necessário para limitar o aquecimento a 1,5°C.
A grande questão agora é como os países responderão na COP30 para reduzir essa lacuna. Eles precisam enfrentar o que vem depois das NDCs, lidando com a transformação da ambição em ação e garantindo que um futuro mais seguro permaneça ao alcance.
Em última análise, apresentar planos sólidos — e cumpri-los — é essencial não apenas para limitar o aquecimento, mas também para proteger a saúde, a prosperidade e a segurança das gerações atuais e futuras.
Este artigo foi publicado originalmente no Insights.
Nota da redação: Este artigo foi publicado originalmente em junho de 2025 e atualizado pela última vez em novembro de 2025, com a análise das novas NDCs enviadas até o dia 9 de novembro.