Países do G20 apresentam seus relatórios de progresso climático pela primeira vez – eles estão cumprindo suas metas?
Os relatórios bienais de transparência oferecem um panorama dos avanços das principais economias em seus compromissos climáticos e revelam um cenário preocupante
A ação climática está ficando aquém do necessário – e cumprir as promessas nunca foi tão importante.
No ano passado, mais de 137 países apresentaram seus novos compromissos climáticos nacionais (formalmente chamados de Contribuições Nacionalmente Determinadas ou NDCs), estabelecendo planos para reduzir emissões e se adaptar aos impactos das mudanças climáticas. Esses esforços, contudo, ainda deixam o mundo muito distante do necessário, reduzindo em menos de 6% a distância que separa a trajetória atual do limite de aquecimento de 1,5°C, necessário para evitar que o mundo enfrente as consequências mais perigosas das mudanças climáticas.
Essa lacuna já é preocupante o suficiente, mas há uma questão ainda mais urgente: os países estão cumprindo seus compromissos anteriores, as metas que estabeleceram para 2030 como parte de suas primeiras NDCs, apresentadas em 2020-2021? Se as principais economias não comprovarem que estão cumprindo esses compromissos, como confiar que os novos – que têm o objetivo de reduzir emissões até 2035 – serão alcançados?
Para responder essa pergunta, o WRI analisou o progresso dos membros do G20 em relação às suas metas de mitigação usando os relatórios bienais de transparência (BTRs), os quais os países são obrigados a apresentar como parte de seu compromisso com o Acordo de Paris. Incluindo as principais economias do mundo entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, o G20 é responsável por mais de três quartos das emissões globais anuais – o que significa que os avanços dessas nações exercem profunda influência sobre a capacidade do mundo de atingir suas metas climáticas.
Nossa análise de 14 membros do G20 mostra um cenário preocupante.
Se mantidas as tendências recentes, apenas cinco países – Austrália, Indonésia, Rússia, África do Sul e Turquia – apresentarão uma trajetória positiva em suas metas de 2030. A Austrália é a única do grupo que atualmente tem reduzido suas emissões partindo de níveis acima de sua meta, enquanto os demais países precisam apenas limitar o crescimento futuro. Em contrapartida, nove membros do G20, incluindo Estados Unidos, União Europeia e Reino Unido, precisam acelerar suas taxas de redução em relação às tendências recentes – em alguns casos, mais que dobrá-las – para avançar em suas metas de 2030.
Sobre a análise
Como parte do Acordo de Paris, 132 países apresentaram relatórios bienais de transparência (BTRs) à ONU. Esta análise se concentra em 13 países e na União Europeia, todos membros do G20 que apresentaram seus primeiros BTRs, incluindo dados de emissões autodeclarados até 2022. Também avaliamos dados históricos, com base nos inventários de GEE de cada país, para demonstrar tendências ao longo do tempo e acrescentamos uma análise simples sobre o nível de redução de emissões necessário para que atinjam suas metas. A comparação entre as tendências recentes e essas trajetórias necessárias mostra em que medida é preciso aumentar os esforços para alcançar as metas. (Uma metodologia adicional é apresentada ao final deste artigo.) A análise não inclui China, Índia e Arábia Saudita. Esses países possuem diferentes tipos de metas em suas NDCs para 2030, incluindo pico de emissões, intensidade de emissões e metas não relacionadas ao GEE, o que não se adequa à metodologia utilizada neste artigo. Será possível incluir esses três países na análise quando seus níveis de emissões no ano da meta puderem ser calculados com maior precisão a partir de suas NDCs ou BTRs. Os BTRs desses países apresentam mais detalhes sobre como estão avançando em direção às suas metas para 2030.
Quais países estão avançando no caminho para cumprir as metas de suas NDCs?
O progresso dos membros do G20 varia. Alguns países precisam reduzir suas emissões de forma significativa, enquanto outros precisam limitar e administrar aumentos estimados para cumprir as metas de 2030.
Para alguns países, as tendências recentes indicam um caminho favorável. Esse grupo inclui Austrália, Indonésia, Rússia, África do Sul e Turquia, que juntas respondem por aproximadamente 9% do total de emissões globais. Entre esses países, apenas a Austrália apresentou, em sua NDC de 2022, emissões acima do nível definido em sua meta, o que significa que o país precisa manter o ritmo atual de redução de emissões até 2030 para alcançar seu objetivo.
Rússia, Indonésia, África do Sul e Turquia precisam concentrar seus esforços em limitar qualquer aumento nas emissões. A Rússia precisa manter a redução de emissões abaixo de uma taxa anual de 10%, enquanto Indonésia e Turquia precisam limitar o crescimento das emissões a menos de aproximadamente 4%, e a África do Sul precisa restringir os aumentos a menos de 1%.
Quais países precisam acelerar seus esforços?
Nove dos membros do G20 analisados (que juntos representam 30% do total de emissões globais) precisam ampliar seus esforços para cumprir suas metas de 2030. No caso da Argentina e do Brasil, as tendências recentes apontam para um aumento das emissões – para cumprir suas metas, ambos precisarão reduzi-las. No caso da Argentina, basta uma redução anual de 1% entre 2022 e 2030. Já no caso do Brasil, são necessárias reduções anuais de quase 6,5%. No entanto, o BTR do Brasil indica que o país pode já estar avançando na redução de suas emissões, devido a uma queda significativa do desmatamento na Amazônia entre 2022 e 2023.
Todos os demais membros do G20 analisados também precisam acelerar a redução de emissões em comparação com as tendências recentes. A intensidade desse esforço varia de país para país. O Reino Unido, por exemplo, precisa aumentar sua taxa anual de redução de emissões de 3,2% no período recente para 5,4% entre 2022 e 2030. O Canadá também precisa alcançar um aumento semelhante (5,5% entre 2022 e 2030) para atingir a meta de sua NDC, mas a taxa de redução recente do país está muito abaixo do necessário, de apenas 1,3%. Outros países, como México, União Europeia e Japão, precisam dobrar suas taxas atuais de redução de emissões para cumprir suas metas.
Como estão avançando os demais membros do G20?
Para acompanhar o progresso dos compromissos climáticos de China, Índia e Arábia Saudita, o monitoramento precisa ser feito de outra forma, pois suas NDCs utilizam abordagens diferentes. Ainda assim, os dados e informações apresentados em seus BTRs mostram como esses países estão avançando.
A China reportou já ter alcançado algumas metas de sua NDC, relacionadas a energia renovável e florestas. O país destaca a instalação de 1.600 gigawatts (GW) de capacidade eólica e solar até 2024, superando a meta para 2030 de 1.200 GW, e informa que o volume de cobertura florestal cresceu 6,5 bilhões de metros cúbicos até 2021, atingindo antecipadamente a meta de 6 bilhões estabelecida para 2030.
As emissões de carbono provenientes da queima de combustíveis, processos industriais e uso de produtos aumentaram quase 4% entre 2020 e 2021; e a China estabeleceu o compromisso de que essas emissões atinjam seu pico antes de 2030. O país também possui a meta de reduzir a intensidade de carbono em 65% até 2030 (em relação aos níveis de 2005); em 2021, segundo o relatório, esse índice já estava em 51%. As fontes não fósseis representaram 18% do consumo de energia primária em 2023; a meta da NDC é que esse percentual chegue a “cerca de 25%”.
No caso da Índia, até 2022 o país havia reduzido em 37% a intensidade de emissões por unidade de PIB em relação aos níveis de 2005, avançando em direção à meta de redução de 45% até 2030. Em 2022, fontes não fósseis representavam quase 43% da capacidade instalada de geração de energia (a meta para 2030 é de 50%). Além disso, a Índia já ampliou seus sumidouros de carbono em um volume equivalente a 2,4 bilhões de toneladas de CO2e, aproximando-se da meta de incorporar entre 2,5 bilhões e 3 bilhões de toneladas de CO2e até 2030.
Já a Arábia Saudita não apresenta um relatório estruturado sobre os progressos em sua NDC, o que dificulta a avaliação dos avanços do país em relação à meta de reduzir ou evitar 278 milhões de toneladas de CO2e por ano até 2030.
A próxima rodada de BTRs, prevista para o final de 2026, fornecerá ainda mais dados e informações sobre o avanço das NDCs. Caso esses próximos relatórios não indiquem esforços adicionais, as trajetórias necessárias para reduzir as emissões até os níveis previstos nas NDCs serão ainda mais desafiadoras.
O que os países reportaram em relação a suas futuras emissões?
Em seus BTRs, os países são obrigados a apresentar projeções de emissões considerando um cenário de manutenção das políticas atuais (business as usual) entre 2025 e 2040, mostrando como as emissões devem evoluir nesse caso. Com isso, é possível comparar as projeções atuais dos países com as reduções necessárias para atingir as metas de suas NDCs. Apenas 14 membros do G20 apresentaram projeções para 2030, e somente oito países apresentaram projeções para 2035.
Para sete países, esses relatórios indicam que as emissões projetadas para 2030 podem superar os limites estabelecidos em suas metas. Três países – Reino Unido, Coreia do Sul e Canadá – apresentaram projeções pelo menos 25% acima das metas em suas NDCs.
Embora essas projeções reflitam apenas as condições e premissas atuais e não representem necessariamente as emissões ou as trajetórias de políticas que de fato se concretizarão, elas ajudam a dimensionar a lacuna de implementação de cada país. Esse diagnóstico evidencia a necessidade de fortalecer as ações domésticas e acelerar a implementação das políticas existentes para cumprir as metas atuais.
No entanto, muitos países do G20 apresentaram poucas explicações sobre a metodologia utilizada para calcular esses números, dificultando a análise e a avaliação da credibilidade de seus compromissos climáticos. Se os países não implementarem políticas efetivas para alcançar seus objetivos de curto prazo, colocam em dúvida sua capacidade de cumprir compromissos futuros mais ambiciosos.
Quais ações os países estão adotando para cumprir suas NDCs?
Em seus BTRs, os países devem relatar e descrever políticas e medidas visando à implementação e ao cumprimento de suas NDCs, indicando também o status dessas ações – planejadas, adotadas ou implementadas. Esses relatórios oferecem uma visão concreta, embora limitada, dos esforços específicos de cada país.
Há grande variação entre o número de políticas relatadas pelos membros do G20. Alguns países apresentaram apenas algumas políticas, enquanto outros detalharam centenas. O Canadá, por exemplo, relatou 448 políticas, a Indonésia listou 80, e o Brasil mencionou apenas sete das políticas consideradas mais relevantes, sinalizando que não representam a totalidade de suas ações climáticas. Argentina, Rússia e Arábia Saudita não relataram nenhuma política. O número total de políticas apresentadas não pode e não deve ser interpretado como uma representação completa dos esforços de um país para cumprir suas NDCs; ele reflete, na realidade, as diferentes abordagens adotadas pelos países para relatar políticas e medidas em seus BTRs. A análise individual das políticas informadas, contudo, ajuda a compreender os esforços em andamento e avaliar seus impactos.
Os membros do G20 classificaram 88% das políticas e medidas relatadas como “implementadas”. Esse alto percentual de implementação, porém, não significa necessariamente que as políticas tenham sido estabelecidas para alcançar as NDCs; provavelmente representa um viés de seleção, já que os países podem ter maior tendência a relatar políticas que já estão em andamento em vez daquelas ainda planejadas, que envolvem maior incerteza. Outras análises, como a do Relatório sobre a Lacuna de Emissões do PNUMA, identificaram uma diferença em GtCO2e – equivalente a pouco menos das emissões anuais dos Estados Unidos – entre as emissões globais projetadas considerando as políticas atuais e aquelas esperadas com a implementação das NDCs.
Os países também devem, sempre que possível, apresentar em seus BTRs estimativas das reduções de emissões esperadas e alcançadas para cada política implementada, permitindo uma análise mais minuciosa da eficácia dessas medidas. Entretanto, os países têm apresentado inconsistências nesses relatórios, e nenhum deles forneceu estimativas para todas as suas políticas. Quatorze membros do G20 apresentaram estimativas para pelo menos parte de suas políticas; México e Indonésia se destacaram ao estimar reduções de emissões para pelo menos 87% de suas políticas.
O G20 está avançando na redução das emissões globais?
Esses primeiros BTRs mostram que, para a maioria dos membros do G20, ainda são necessários mais esforços para reduzir as emissões, cumprir as metas estabelecidas e aumentar a ambição climática. 2030 está cada vez mais próximo, e, quanto mais as ações forem adiadas, mais difícil e mais caro será o caminho para os países atingirem suas metas.
A próxima rodada de BTRs, prevista para dezembro, pode ajudar a demonstrar se os países estão cumprindo seus compromissos. Os BTRs não são apenas uma obrigação de prestação de contas; eles mostram ao mundo se os compromissos assumidos estão, de fato, sendo cumpridos. Com análises aprofundadas e mais pressão para agir com base nos dados disponíveis, os BTRs de dezembro podem representar um ponto de virada. A questão é se os governos irão encará-los dessa forma.
Notas adicionais sobre metodologia e dados
Argentina: a tabela 4 do formato tabular comum (CTF) da Argentina apresenta dados de emissões da NDC para 2021 e 2022 e informa o valor-alvo de emissões da NDC para 2030. Devido às diferenças metodológicas entre o relatório do inventário nacional da Argentina e a contabilização da NDC (a NDC utiliza diferentes valores de potencial de aquecimento global em comparação ao inventário nacional), não havia dados históricos anteriores a 2021 dentro do escopo da NDC disponíveis. Os dados desde 2018 foram usados para ilustrar o período recente de cinco anos, utilizado como base para o cálculo das tendências recentes. Para calcular essas tendências, foram utilizados dados do inventário de GEE da Argentina presente na tabela 10s6 das tabelas comuns de reporte (CRT) (total com LULUCF), considerando que essas tendências podem ser válidas apesar das diferenças metodológicas mencionadas.
Austrália: a tabela 4.2 do CTF da Austrália apresenta dados de emissões da NDC para 2021 e 2022 e informa o valor-alvo de emissões da NDC para 2030. Como a Austrália utiliza dados de seu inventário nacional de GEE para monitorar o progresso, os dados do inventário podem ser utilizados para apresentar séries históricas fora do período de implementação da NDC. Os dados de 2005 a 2020 foram extraídos da tabela 6 do CTF da Austrália. As tendências recentes foram calculadas com base no período de cinco anos entre 2018 e 2022.
Brasil: a tabela 4.2 do CTF do Brasil apresenta dados de emissões da NDC entre 2020 e 2022 e informa o valor-alvo de emissões da NDC para 2030. Como o Brasil utiliza dados de seu inventário nacional de GEE para monitorar o progresso, os dados do inventário podem ser utilizados para apresentar séries históricas fora do período de implementação da NDC. Os dados de 2005 a 2020 foram extraídos da tabela 6 do CTF do Brasil. Os dados desde 2005 são apresentados porque esse é o ano-base da NDC. As tendências recentes foram calculadas com base no período de dez anos entre 2013 e 2022, considerando a grande variação das emissões, especialmente aquelas relacionadas a LULUCF.
Canadá: a tabela 4 do CTF do Canadá apresenta dados de emissões da NDC para 2005, 2021 e 2022 e informa o valor-alvo de emissões da NDC para 2030. Para monitorar o progresso, o Canadá utiliza dados de seu inventário nacional de GEE (sem LULUCF) e complementa essas informações com dados separados sobre a contribuição de LULUCF. Para dados fora do período de implementação da NDC, entre 2006 e 2020, foram utilizados dados da tabela 6 do CTF do Canadá (total, sem LULUCF) e do catálogo de dados Environment and Climate Change Canada, de projeções de emissões de GEE, projeções de 2024 e da contribuição histórica de LULUCF. As tendências recentes foram calculadas com base no período de cinco anos entre 2018 e 2022.
União Europeia: a tabela 4 do CTF da União Europeia apresenta dados de emissões da NDC para o ano-base de 1990, para os anos de implementação da NDC (2021 e 2022) e informa o valor-alvo de emissões da NDC para 2030. O escopo da NDC da UE difere daquele de seu inventário de GEE. A NDC inclui emissões da aviação e navegação internacionais, categorias não incluídas nos inventários de GEE apresentados à UNFCCC. Para monitorar o progresso nas metas de sua NDC, a UE complementa as estimativas de emissões de seu inventário de GEE com estimativas de emissões da aviação e navegação internacionais baseadas no Integrated Database of the European Energy System (JRC-IDEES), do Centro Comum de Pesquisa da União Europeia, publicado online. Não foi possível reproduzir os dados exatos publicados na tabela A-1 do BTR da UE, em parte porque o momento de finalização do BTR e a atualização do JRC-IDEES fizeram com que o relatório utilizasse dados anteriores. Dessa forma, não foi possível representar as emissões dentro do escopo da NDC da UE para toda a série histórica; por isso, foram utilizados os dados do inventário de GEE da UE apresentados na tabela 6 do CTF (total com LULUCF). As tendências recentes foram calculadas com base no período de cinco anos entre 2018 e 2022, utilizando os dados do inventário de GEE e considerando que essas tendências podem ser válidas apesar das diferenças no escopo da NDC.
Indonésia: a tabela 2.13 do BTR da Indonésia inclui dados de emissões da NDC de 2010 a 2022 e pontos de referência do cenário-base para o mesmo período. A tabela 4 do CTF informa o valor-alvo de emissões da NDC para 2030. A tabela 2-10 do BTR da Indonésia, intitulada “Descrição da Contribuição Nacionalmente Determinada Aprimorada”, apresenta o valor do cenário para 2030. Para ilustrar o cenário-base entre 2022 e 2030, foi calculada uma trajetória linear entre os valores do cenário-base desses dois anos. As tendências recentes foram calculadas com base no período de cinco anos entre 2018 e 2022.
Japão: a tabela 4 do CTF do Japão apresenta dados de emissões da NDC para 2013, 2021 e 2022 e informa o valor-alvo de emissões da NDC para 2030. Para monitorar o progresso, o Japão utiliza dados de seu inventário nacional de GEE (sem LULUCF, com emissões indiretas) e complementa essas informações com dados separados sobre a contribuição de LULUCF. Para dados fora do período de implementação da NDC, entre 2013 e 2020, foram utilizados dados da tabela 6 do CTF do Japão (total, sem LULUCF, com emissões indiretas) e do documento do inventário nacional de 2024 do Japão, tabela A 9-3. As tendências recentes foram calculadas com base no período de cinco anos entre 2018 e 2022.
México: a tabela 4 do CTF do México apresenta dados de emissões da NDC para 2021 e 2022 e informa o valor-alvo de emissões da NDC para 2030, juntamente com o ponto de referência do cenário-base para 2030. A tabela 2.5 do BTR do México também inclui valores de emissões da NDC e valores do cenário-base para o período de 2012 a 2022. Os dados desde 2012 utilizam as informações históricas apresentadas na tabela 2.5 do BTR. As tendências recentes foram calculadas com base no período de cinco anos entre 2018 e 2022.
Coreia do Sul: a tabela 4 do CTF da Coreia do Sul apresenta dados de emissões da NDC para 2021 e 2022 e informa o valor de referência de 2018. O documento também indica que a meta corresponde a uma redução de 40% em relação ao valor de referência de 2018. A meta da NDC para 2030 foi calculada como uma redução percentual em relação a esse valor de referência. Conforme explicado pela Coreia do Sul em sua tabela 3 do CTF, existem diferenças metodológicas entre o cálculo das emissões utilizado para monitorar o progresso da NDC e o inventário nacional de emissões de GEE mais recente, por isso o inventário nacional não pode ser utilizado para fornecer uma série histórica. Foram utilizados, então, os dados do inventário de GEE da Coreia do Sul presentes na tabela CRT 10s6 (total com LULUCF). Os dados desde 2018 ilustram o período recente de cinco anos, utilizado como base para o cálculo das tendências recentes, considerando que essas tendências podem ser válidas apesar das diferenças no escopo da NDC.
Rússia: a tabela 4 do CTF da Rússia acompanha o progresso como percentual das emissões de 1990, sendo que a meta da NDC para 2030 corresponde a um nível de emissões inferior a 70% dos níveis de 1990. A tabela 4 do CTF apresenta os níveis de emissões para 2021 e 2022. Esses dados correspondem aos apresentados na tabela 6 do CTF. Por esse motivo, a tabela 6 do CTF é utilizada para apresentar os dados de 1990 a 2022. Os dados desde 1990 são apresentados porque esse é o ano-base da NDC. As tendências recentes são calculadas com base no período de dez anos entre 2013 e 2022, devido à grande variação das emissões, especialmente aquelas relacionadas a LULUCF.
África do Sul: a NDC da África do Sul estabelece que as emissões em 2030 estarão entre 350 MtCO2e e 420 MtCO2e. A tabela 4 do CTF da África do Sul reúne os dados de emissões da NDC para 2021 e 2022 e acompanha o progresso do país em relação ao limite superior da faixa de emissões estabelecida para 2030. A NDC sul-africana não considera as emissões de GEE decorrentes de fenômenos naturais. Para medir seu desempenho, o país utiliza o inventário nacional de GEE (incluindo LULUCF) e desconta as emissões estimadas atribuídas a esses fenômenos. Como o BTR apresenta essas estimativas apenas para 2021 e 2022, não há uma série histórica mais extensa compatível com o escopo da NDC, por isso foram utilizados os dados do inventário de GEE da África do Sul presentes na tabela CRT 10s6 (total com LULUCF). Os dados a partir de 2018 são apresentados para representar o período recente de cinco anos utilizado no cálculo das tendências, partindo do pressuposto de que elas permanecem representativas, apesar das diferenças no escopo da NDC.
Turquia: para apresentar as emissões de GEE da Turquia, foram utilizados dados da tabela CRT 10s6, com informações de 1990 a 2022. Alguns dados dessa tabela não correspondem aos dados apresentados no CTF do país. No entanto, durante a revisão técnica realizada pela UNFCCC, a Turquia confirmou que os dados corretos para 2022 são os apresentados no CRT, e não aqueles informados no CTF (e repetidos em algumas tabelas do BTR). Dessa forma, foram utilizados os dados do CRT para representar o histórico de emissões, mas essas inconsistências reduzem a compreensão geral sobre o BTR do país. Para apresentar o cenário-base, foram utilizados dados de 2012, 2015, 2020, 2025 e 2030 extraídos da figura 67 do BTR. Para representar os dados entre esses pontos, foi calculada uma trajetória linear. Por exemplo, a apresentação do cenário para 2013 e 2014 é baseada em uma trajetória linear entre 2012 e 2015. As tendências recentes foram calculadas com base no período de cinco anos entre 2018 e 2022.
Reino Unido: a tabela 4.1 do CTF do Reino Unido apresenta dados de emissões da NDC para o ano-base de 1990, 2021 e 2022 e informa o valor-alvo de emissões da NDC para 2030. Como o Reino Unido utiliza dados de seu inventário nacional de GEE para monitorar o progresso, esses dados podem ser usados para apresentar séries históricas fora do período de implementação da NDC. Os dados de 1990 a 2020 foram extraídos da tabela 6 do CTF do Reino Unido (total com LULUCF). As tendências recentes foram calculadas com base no período de cinco anos entre 2018 e 2022.
Estados Unidos: a tabela 4.1 do CTF dos Estados Unidos apresenta dados de emissões da NDC para o ano-base de 2005, 2021 e 2022. Nessa tabela, os EUA informam que sua meta corresponde a 50% do valor do ano-base e não apresentam o valor-alvo em MtCO2e. Para determinar o valor-alvo da NDC, foi calculado 50% do valor informado para o ano-base de 2005. Como os Estados Unidos utilizam dados de seu inventário nacional de GEE para monitorar o progresso, os dados do inventário podem ser utilizados para apresentar séries históricas fora do período de implementação da NDC. Os dados de 2005 a 2020 foram extraídos da tabela 6 do CTF dos EUA (total com LULUCF). As tendências recentes foram calculadas com base no período de cinco anos entre 2018 e 2022.
Especialistas do WRI que contribuíram para este artigo:
Nathan Cogswell - Associado Sênior, Programa de Clima, Finanças e Economia
Kirian Mischke-Reeds - Analista de Pesquisa, Aumento da Ambição Climática Nacional
Cynthia Elliott -Associada Sênior, Política Climática
Este artigo foi publicado originalmente no Insights.