As emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) subiram 50% entre 1990 e 2023. Essas emissões estão fazendo o planeta aquecer em um ritmo alarmante e contribuindo para as tempestades, enchentes, incêndios e ondas de calor cada vez mais devastadoras que o mundo tem enfrentado.

Mas de onde exatamente vêm as emissões?

A plataforma Climate Watch , do WRI, publica dados de emissões de todos os países, setores e tipos de gases, oferecendo insights sobre as causas da crise climática e as frentes nas quais o mundo precisa agir para combatê-la. Analisamos os dados para explicar onde está a causa da maior parte das emissões globais de GEE.

As emissões de gases de efeito estufa são originadas por 5 setores principais

Para entender de onde vêm as emissões, é útil classificá-las de acordo tanto com setores (como energia ou agricultura) quanto com “usos finais” – ou seja, as atividades específicas que emitem gases de efeito estufa.

Atualmente, as emissões de gases de efeito estufa podem ser atribuídas a cinco setores principais:

Energia
Agricultura 
Processos industriais 
Resíduos 
Uso da terra, mudança do uso da terra e florestas

O setor de energia é responsável pela maior parcela das emissões de gases de efeito estufa, representando 76,7% do total mundial.

O setor de energia inclui emissões de eletricidade e calor (33,6% de todas as emissões), transportes (14,3%), manufatura e construção (12,2%) e edifícios (6,3%). 

Também inclui emissões fugitivas (gases de efeito estufa liberados durante a produção ou transmissão de combustíveis fósseis) e emissões provenientes de outras formas de queima de combustíveis.

Também é possível observar quais atividades específicas (ou usos finais) geram mais emissões dentro de cada setor.

Por exemplo, edifícios residenciais representam a maior parcela das emissões do setor de energia e 12,7% de todas as emissões globais. Essa porcentagem inclui as emissões da geração da eletricidade utilizada nas residências, bem como do uso direto de combustíveis fósseis, como o consumo de gás para cozinhar.

Outra importante fonte de GEE no setor de energia é o transporte rodoviário, responsável por 12,7% das emissões globais.

Os setores não energéticos contribuem com apenas um quarto das emissões globais.

A agricultura é o segundo maior emissor, respondendo por 12,3% das emissões globais. Entre as principais fontes emissoras no setor, estão a pecuária e os solos agrícolas, como o metano proveniente da pecuária e manejo de dejetos animais. A agricultura também gera emissões por meio de mudanças do uso da terra e do uso de energia.

Os processos industriais representam 6,2% das emissões globais, incluindo emissões da produção química e de cimento, entre outras atividades (mas exclui o uso de energia).

As emissões de resíduos, como metano e óxido nitroso provenientes de aterros sanitários, representam 3,8% do total global.

O setor de uso da terra, mudança do uso da terra e florestas representa 0,9% das emissões. Esse total líquido inclui tanto emissões liberadas por terras e florestas – como quando árvores são derrubadas ou quando matéria orgânica se decompõe no solo – quanto o carbono removido da atmosfera à medida que as florestas crescem. As emissões brutas do setor (sem considerar as remoções) são, portanto, maiores do que o apresentado aqui.

Veja ao lado um panorama dos setores, subsetores e usos finais que contribuem para as emissões globais. Observe que os usos finais podem se repetir, pois podem estar presentes em diferentes subsetores. Por exemplo, edifícios residenciais aparecem tanto em Eletricidade (porque utilizam eletricidade gerada em usinas) quanto em Edifícios (porque geram emissões diretamente).

A indústria é uma fonte de emissões de GEE que mais cresce no mundo

Desde 1990, as quatro fontes de emissões que mais cresceram foram: processos industriais, com um aumento de 191%; eletricidade e aquecimento (subsetor de energia), com um crescimento de 97%; transportes (também um subsetor de energia), que cresceu 79%; e fabricação e construção, com 56% de aumento. 

O dióxido de carbono representa a maior parte, mas não a totalidade, das emissões de GEE

O dióxido de carbono (CO 2 ) representa 72% das emissões de gases de efeito estufa. A grande maioria ( 95% ) vem do uso de combustíveis fósseis.

Embora outros gases de efeito estufa, como metano (CH 4 ) e óxido nitroso (N 2 O), representem uma parcela muito menor do total (19,2% e 5,5%, respectivamente), eles desempenham um papel importante no aquecimento global. Conhecidos como “superpoluentes”, esses gases são muito mais potentes do que o CO 2 no curto prazo.

A maior parte das emissões de metano e óxido nitroso vem da agricultura, do tratamento de resíduos e da queima de gás. Gases fluorados – incluindo HFCs, perfluorcarbonos (PFCs), hexafluoreto de enxofre (SF6) e trifluoreto de nitrogênio (NF3) – provenientes de processos industriais também representam uma pequena parcela das emissões globais. Combater essas fontes de superpoluentes oferece oportunidades de mitigação significativas, mas que com frequência são ignoradas.

Compreender os fluxos de emissões é essencial para encontrar soluções climáticas

Combater as emissões de GEE em sua origem é a principal forma de limitar o aumento da temperatura e evitar impactos climáticos cada vez mais devastadores. Agir com foco nos principais setores emissores é uma das prioridades da ação climática. No entanto, sem saber de onde vêm as emissões, os governos, empresas e outros atores não têm como desenvolver planos práticos.

Para isso, é necessária uma visão mais ampla de como os diferentes setores, usos finais e gases estão inter-relacionados, a fim de evitar uma compreensão limitada da realidade durante a elaboração de planos de ação.

Mais ambição começa com mais informação

O mundo já enfrenta consequências catastróficas das mudanças climáticas. Para evitar impactos ainda mais perigosos e delicados, precisamos manter o aumento da temperatura global dentro do limite de 1,5°C. Mas os países estão longe de mirar alto o suficiente: essa meta exige reduzir as emissões em cerca de 40% até 2030 e 55% até 2035, em relação aos níveis de 2019. Se forem totalmente implementados, os novos compromissos climáticos nacionais podem reduzir as emissões em menos de 15%, deixando aberta uma lacuna expressiva.

Todos os países – em especial as grandes economias e os principais emissores – precisam aumentar a ambição de suas ações climáticas. Isso significa apresentar planos climáticos nacionais (conhecidos como NDCs) mais robustos, desenvolver estratégias climáticas de longo prazo e assumir o compromisso de alcançar o zero líquido das emissões o mais rápido possível.

As fontes de emissões devem ser a maior prioridade. Mas são realizadas transformações rápidas em todos os setores e sistemas. Os países precisam trabalhar para eliminar gradualmente o uso de carvão na geração de eletricidade, interromper o desmatamento, aumentar a participação de combustíveis de baixo carbono no setor de transportes e ampliar o financiamento climático público e privado, entre outras ações.

De forma geral, ter os dados corretos para elaborar estratégias e recomendações específicas é um primeiro passo essencial.

Explore os dados de emissões por setor e tipo de GEE

 

1 Diferentes gases de efeito estufa podem ter efeitos distintos sobre o aquecimento devido às diferenças em sua capacidade de absorver energia e no tempo em que permanecem na atmosfera. O “potencial de aquecimento global” (GWP, na sigla em inglês) foi desenvolvido para medir quanta energia as emissões de uma tonelada de gás irão absorver em um determinado período de tempo (normalmente 100 anos), em relação às emissões de uma tonelada de dióxido de carbono (CO2). O dióxido de carbono equivalente (CO2e) é uma medida utilizada para agregar emissões de diferentes GEE com base em seus potenciais de aquecimento global, convertendo gases que não são CO2 na quantidade equivalente de CO2. Assim, o CO2e fornece uma unidade padronizada para medir os efeitos de aquecimento de diferentes GEE.

 

Este artigo foi publicado originalmente no Insights.

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