Roteiro Baku–Belém mostra o caminho para reforma do sistema financeiro global
BELÉM (5 de novembro de 2025) – Hoje, as presidências da COP do Azerbaijão e do Brasil publicaram o Roteiro Baku–Belém para US$ 1,3 trilhão. O relatório representa um dos principais resultados acordados na COP29, detalhando como mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais para países em desenvolvimento até 2035, provenientes de todas as fontes internacionais.
A seguir, o posicionamento de Karen Silverwood-Cope, diretora de Clima, Economia e Finanças do WRI Brasil:
“O roteiro Baku–Belém representa mais do que um plano ambicioso: é uma chamada para a criação de uma nova arquitetura de financiamento climático global. Uma arquitetura que reconheça que a mudança do clima é um problema de desenvolvimento e que canalize recursos com escala, transparência e equidade para onde mais se precisa.”
“O grande desafio após o lançamento do Roteiro Baku–Belém será verificar se ele será efetivamente endossado pelos países na COP 30 e como será construído um mecanismo robusto de monitoramento e implementação. O plano estabelece ações e responsabilidades não apenas para os países, mas também para instituições financeiras internacionais, o G20, os Brics e todo o sistema multilateral, reconhecendo que a transformação exigida é sistêmica. O sucesso dependerá da capacidade de converter compromissos em mecanismos concretos de governança e prestação de contas.”
“Em 2026, a presidência brasileira terá papel decisivo em liderar esse processo de acompanhamento, articulando governos, bancos de desenvolvimento, investidores e organismos multilaterais para assegurar transparência, coerência e continuidade política, para que o Roteiro se traduza em resultados tangíveis.”
“Importante destacar que o Roteiro tenta organizar os fluxos internacionais de financiamento, mas existe uma fatia muito relevante que depende de recursos domésticos. Essa guinada financeira global pelo clima precisa ser acompanhada de forma coerente por reformas domésticas, com arcabouços fiscais atualizados, reformas tributárias e de subsídios para que as economias sejam orientadas para a ação climática e a atração de investimentos em soluções concretas.”
“Se falharmos em mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais e transformar compromissos em investimentos reais, estaremos condenando milhões de pessoas à insegurança, à vulnerabilidade e ao retrocesso. Por outro lado, se atuarmos com ambição e urgência, podemos construir um sistema global que combine desenvolvimento, adaptação e justiça climática – e transformar risco em investimento, vulnerabilidade em resiliência.”