1) Transformação do sistema financeiro
A COP29 ficou conhecida como a "COP do Financiamento", na qual os países concordaram em aumentar o financiamento para US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 para ações climáticas em países em desenvolvimento. Agora que a meta foi definida, é hora de determinar como alcançá-la. O sucesso depende do aumento dos investimentos públicos e privados no desenvolvimento econômico sustentável e do desinvestimento em combustíveis fósseis e outras atividades que prejudicam as comunidades.
O Roteiro de Baku a Belém é um plano conjunto das presidências da COP29 e da COP30 para atingir US$ 1,3 trilhão. Este roteiro deve estabelecer ações claras que todos os países apoiem na COP30.
Países que vão desde grandes economias a pequenos Estados insulares devem apresentar plataformas nacionais para ajudar a alinhar o financiamento climático público, privado, nacional e internacional em grande escala.
Governos e instituições financeiras precisam anunciar novos financiamentos, reformas e iniciativas que invistam em setores como sistemas alimentares resilientes ao clima, transporte limpo e economias oceânicas sustentáveis.
2) Aumento da resiliência climática
A adaptação é um dos principais focos da COP30 porque salva vidas, fortalece economias e protege comunidades. De acordo com a análise do WRI, cada US$ 1 gasto em adaptação climática pode gerar mais de US$ 10 em benefícios ao longo de 10 anos. No entanto, os países em desenvolvimento ainda enfrentam um déficit de financiamento para adaptação de até US$ 359 bilhões por ano.
Para fechar essa lacuna é preciso obter o tipo certo de financiamento – especialmente subsídios e financiamento com juros baixos – para as comunidades que mais precisam, sem aumentar a dívida dos países. As principais oportunidades de ação neste ano incluem:
No âmbito do Roteiro de Baku a Belém, os países devem concordar com um caminho claro para mobilizar financiamento público e privado suficiente para implementar a adaptação no ritmo e na escala necessários – especialmente nas comunidades mais vulneráveis do mundo.
Os países devem concordar com indicadores para acompanhar o progresso em direção à Meta Global de Adaptação do Acordo de Paris.
Com o apoio da Coalizão de Ministros das Finanças para a Ação Climática, os ministros das finanças de todos os países devem integrar plenamente os riscos climáticos em seus planejamentos, orçamentos e políticas.
3) Planos climáticos nacionais ambiciosos
Os países têm a responsabilidade de submeter novos planos climáticos, conhecidos como Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), à ONU até setembro. Esses planos nacionais devem estabelecer metas ambiciosas de redução de emissões que estejam alinhadas com os objetivos de neutralidade de carbono e transformar os setores de energia, agricultura e transportes. O Balanço Global do Acordo de Paris (GST, do inglês Global Stocktake) apresenta uma diretriz clara: transição para longe dos combustíveis fósseis, triplicar a energia renovável, duplicar a eficiência energética, fim do desmatamento e redução drástica das emissões do setor de transportes.
As NDCs devem estar alinhadas com o objetivo de limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C e impulsionar mudanças setoriais ousadas, conectando metas com ações e investimentos. Mais NDCs devem reconhecer explicitamente o papel de atores subnacionais, como cidades, estados e regiões – atores-chave na luta contra a mudança climática.
Os países devem integrar metas climáticas, de preservação da natureza e de bem-estar humano ao planejamento econômico e setorial central; investir em empregos e em esforços de transição justa; e fortalecer a ação subnacional, inclusive por meio de iniciativas como a Coalizão para Parcerias Multiníveis de Alta Ambição (CHAMP, Coalition for High Ambition Multilevel Partnership for Climate Action).
Plataformas nacionais desempenharão um papel essencial na promoção de transformações sistêmicas em setores críticos.
Iniciativas cooperativas lideradas por governos em múltiplos setores – inclusive por meio da Agenda de Ação da COP30 – devem ser coordenadas e fortalecidas.
Em última instância, as NDCs devem melhorar a vida cotidiana das pessoas, criando empregos, reduzindo a poluição do ar e fortalecendo as economias locais.
4) Proteção e restauração da natureza e transformação dos sistemas alimentares
A COP deste ano será realizada na Amazônia, que registrou uma perda de cobertura arbórea próxima de níveis recordes no ano passado. Transformar os sistemas alimentares – responsáveis por um terço das emissões, por 90% do desmatamento e pelo uso da maior parte da água doce mundial – é uma das ações mais essenciais para as pessoas, a natureza e o clima.
Os países precisam mudar a forma como produzimos alimentos, reduzir drasticamente o desperdício alimentar e adotar dietas mais ricas em vegetais. Os líderes devem fechar a lacuna de financiamento para a natureza por meio de políticas claras, incentivos de mercado e estruturas de investimento que reduzam riscos e atraiam financiamento privado. Além disso, mais países precisam reconhecer o papel vital que os Povos Indígenas e as comunidades locais desempenham na proteção e restauração das florestas.
As ações devem incluir:
Na COP30, os países devem estabelecer o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), potencial nova fonte significativa de financiamento para a proteção das florestas
Os países e financiadores filantrópicos devem cumprir a promessa de US$ 1,7 bilhão para apoiar os Povos Indígenas e comunidades locais na garantia dos direitos de posse da terra, antes do prazo final de dezembro de 2025;
Lançar mecanismos financeiros inovadores para restaurar até 250 milhões de hectares de terras degradadas globalmente até 2050, fortalecendo a integração entre clima, natureza e sistemas alimentares.