O GHG Protocol (Greenhouse Gas Protocol) é um conjunto de padrões internacionais amplamente utilizados para medir e gerenciar emissões de gases de efeito estufa (GEE) em empresas e organizações. Desenvolvido pelo World Resources Institute (WRI) em parceria com o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), o protocolo promove transparência e consistência na contabilização e no reporte de emissões.

Escopos de emissões

  • Escopo 1: emissões diretas de fontes próprias ou controladas.
  • Escopo 2: emissões indiretas da geração de energia comprada.
  • Escopo 3: demais emissões indiretas na cadeia de valor.

História e status do GHG Protocol em 2025

A iniciativa começou em 1998 e publicou a primeira diretriz de reporte corporativo em 2001. Desde então, foram lançados diversos guias e padrões específicos (projetos, ciclo de vida, mitigação, produtos, escopos 2 e 3).

Atualizações em curso

Novos padrões

  • Land Sector and Removals Standard e sua Land Sector and Removals Guidance, com diretrizes para emissões e remoções em uso da terra e florestas.
  • Actions and Market Instruments Standard, para contabilizar resultados de ações corporativas e instrumentos de mercado relacionados ao clima.

As atualizações visam fortalecer a consistência, a transparência e a comparabilidade das práticas de mensuração e reporte de GEE em nível global.

Brasil: ferramentas setoriais baseadas no GHG Protocol

Desde 2014, o WRI Brasil lidera ferramentas setoriais para agricultura, florestas, agroflorestas e pecuária. A primeira ferramenta e metodologia para a agricultura brasileira foi publicada em 2015, em parceria com a Unicamp, e vem sendo aprimorada para representar sistemas agroflorestais e, mais recentemente, sistemas integrados.

Ferramentas GHG Protocol desenvolvidas pelo WRI Brasil

As ferramentas brasileiras são compatíveis com o GHG Protocol Corporate Standard (2001) e sua Agriculture Guidance. Concluída a revisão do Land Sector and Removals Standard, as ferramentas abaixo serão atualizadas para refletir as mudanças.

GHG Protocol Florestas e Sistemas Agroflorestais

O Brasil tem grande oportunidade de reduzir emissões ao avançar para uma economia de baixo carbono, com destaque para o setor florestal. A Ferramenta de Cálculo para Balanço de Emissões de Gases de Efeito Estufa em Florestas e Sistemas Agroflorestais (GHG Protocol Florestas e SAFs) ajuda produtores e empresas a estimar emissões e remoções de GEE, melhorar a gestão e a eficiência e, potencialmente, aumentar produtividade com menor impacto ambiental.

Desenvolvida para a realidade brasileira, a ferramenta utiliza fatores de emissão nacionais e baseia-se em publicações e estudos do país. Ela é organizada por tipos florestais, contemplando:

  • Plantações homogêneas (eucalipto, pinus e paricá).
  • Plantações heterogêneas (plantio multidiverso de espécies tropicais nativas e exóticas para uso madeireiro).
  • Sistemas agroflorestais (SAFs), com 307 espécies.

A restauração de paisagens e florestas recupera áreas degradadas, restabelece funções ecológicas e gera serviços ambientais, com benefícios ambientais, sociais e econômicos. A ferramenta ajuda a validar práticas de baixo carbono e a atrair investimentos e mercados, estimulando a adoção de novas práticas para reduzir e/ou remover GEE.

GHG Protocol Agropecuário

A ferramenta GHG Protocol Agropecuário — acesse a Ferramenta de Cálculo Brasil e a Metodologia — permite que produtores e empresas das cadeias de agricultura, pecuária, silvicultura, entre outras, incorporem o reporte e a mitigação de emissões em suas estratégias e no planejamento anual.

O que possibilita

  • Identificar oportunidades de redução de emissões de GEE.
  • Monitorar o progresso rumo a metas.
  • Comunicar resultados a investidores e consumidores.
  • Responder a exigências por produtos menos intensivos em carbono, no Brasil e no exterior.

O objetivo central é apoiar o aumento de produtividade com técnicas de baixo carbono, reduzindo o desmatamento e as emissões associadas, alinhado às políticas do Plano ABC. A ferramenta também busca engajar e capacitar empresas e suas cadeias de fornecimento no uso da contabilidade e redução de emissões, além de fomentar o debate sobre Mensuração, Relato e Verificação (MRV) no setor agrícola entre sociedade civil, governo e setor privado.

Outras ferramentas

O GHG Protocol reúne padrões e orientações para estimar emissões em diferentes países e setores. Outras especificações e ferramentas podem ser acessadas na página do GHG Protocol.

No Brasil, a adaptação do método corporativo ao contexto nacional é realizada pelo Programa Brasileiro GHG Protocol, desenvolvido pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade (FGVces) da Fundação Getulio Vargas e pelo WRI, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) e 27 Empresas Fundadoras.