Florestas e café rumo ao baixo carbono: nova ferramenta de cálculo de emissões é lançada
O Brasil é um dos países com maior potencial para liderar a transição para uma economia de baixo carbono, mas também um dos que mais emitem gases de efeito estufa (GEE) a partir do desmatamento, da mudança de uso da terra e da agropecuária. Para enfrentar esse desafio, é essencial que os setores produtivos disponham de metodologias e ferramentas capazes de mensurar e gerenciar suas emissões e remoções de carbono de forma transparente e padronizada.
Com esse objetivo, o WRI Brasil lança a atualização da nota técnica sobre a Ferramenta de Cálculo de Emissões para o setor florestal, que agora inclui também a descrição dos parâmetros e das fontes de emissão da Ferramenta de Cálculo de Emissões para o Setor Cafeeiro no Brasil (Ferramenta GHG Cafeicultura). Desenvolvida em parceria com a CEPAGRI/Unicamp e com apoio da Cooxupé (Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé Ltda.), essa ferramenta amplia a transparência e a precisão na mensuração das emissões do setor.
Ambas foram desenvolvidas em alinhamento com princípios da Iniciativa GHG Protocol, e são baseadas nas metodologias do Protocolo de GEE Corporativo (2001) e seu Guia Agrícola (2014). Essas ferramentas ajudam produtores, cooperativas e empresas a medir suas emissões, planejar ações de mitigação e reportar resultados a consumidores, investidores e formuladores de políticas públicas, fortalecendo a integração entre sustentabilidade, produtividade e competitividade.
Por que desenvolver ferramentas específicas para os setores florestal e cafeeiro
A implementação do Acordo de Paris exige esforços ambiciosos para limitar o aquecimento global a 1,5 ºC. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), atingir essa meta implica reduzir drasticamente as emissões globais e ampliar as remoções de carbono em solos e biomassa.
No Brasil, o setor de uso da terra, que inclui agricultura e florestas, responde por mais de 70% das emissões brutas nacionais (SEEG,2024). A restauração florestal e a expansão de florestas plantadas, por sua vez, têm papel estratégico na redução dessas emissões e na geração de empregos verdes, renda e serviços ambientais.
Ferramenta para o setor Cafeeiro
O café é uma das culturas mais emblemáticas do Brasil e desempenha papel essencial na economia e na paisagem rural do país. Em 2024, o país destinou mais de 2,2 milhões de hectares ao cultivo de café arábica e conilon, concentrados nos biomas Mata Atlântica e Cerrado, regiões cruciais para a biodiversidade e a regulação climática.
Com o avanço das discussões sobre sustentabilidade e rastreabilidade, cresce a demanda por instrumentos que quantifiquem a pegada de carbono da produção cafeeira. Por isso, o WRI Brasil, em parceria com a CEPAGRI/Unicamp e apoio da Cooxupé (Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé Ltda.) desenvolveu a Ferramenta de Cálculo do de emissões para Café (Ferramenta GHG Cafeicultura), no Brasil.
Baseada na estrutura da ferramenta florestal, essa versão foi adaptada para as especificidades da cafeicultura, como a dinâmica de carbono no solo, o uso de fertilizantes, o consumo de energia e o transporte de trabalhadores e insumos.
A ferramenta também incorpora dados de estoques de carbono no solo de áreas cafeeiras, fornecidos pela Cooxupé, e permite aos produtores avaliarem a eficiência produtiva e as emissões associadas a diferentes práticas agrícolas. Assim, o setor pode identificar oportunidades de mitigação, planejar a neutralidade climática e fortalecer o posicionamento de seus produtos em mercados internacionais que valorizam cadeias de valor de baixo carbono.
Quem pode usar as ferramentas
As ferramentas de cálculo de emissões para os setores florestal e cafeeiro foram desenvolvidas para:
- Produtores rurais e cooperativas;
- Gestores públicos e formuladores de políticas ambientais;
Ao elaborar um inventário de GEE, esses atores podem quantificar suas emissões e remoções, definir metas de redução e comunicar seus resultados de forma padronizada. Isso contribui para a transparência climática, melhora o acesso a financiamentos verdes e reforça o alinhamento às metas nacionais e globais de clima e biodiversidade.
As ferramentas de cálculo de emissões para os setores florestal e cafeeiro no Brasil estão disponíveis gratuitamente no site do WRI Brasil e seguem as metodologias do GHG Protocol Corporativo (2001) e de seu Guia Agrícola (2014). Os guias e padrões de contabilização da Iniciativa GHG Protocol relacionados ao setor de uso da terra (Land Sector and Removals Standard) estão atualmente em revisão, com conclusão prevista para 30 de janeiro de 2026. Após a publicação das novas diretrizes, caso haja discrepâncias entre a versão atual do GHG Protocol e as ferramentas disponibilizadas pelo WRI Brasil, as orientações atualizadas deverão prevalecer
Também já está no ar a página para download do manual e da planilha em Excel na versão beta da ferramenta, acesse aqui.