Iniciativa Re.Habita lança carta que reivindica moradia digna como pilar da resiliência climática
Iniciativa do WRI Brasil, Fundação Tide Setubal, Habitat para a Humanidade Brasil, ONU-Habitat Brasil e TETO Brasil foi apresentada na primeira semana da COP30 em Belém
A iniciativa Re.Habita lançou, no primeiro dia da COP30 no Brasil, a Carta Aberta pela Moradia Digna na Agenda Climática, documento elaborado de forma colaborativa pela Fundação Tide Setubal, Habitat para a Humanidade Brasil, ONU-Habitat Brasil, TETO Brasil e WRI Brasil.
O documento apresenta a Re.Habita, um espaço de articulação interinstitucional voltado à integração das agendas habitacional e climática no Brasil, e afirma o compromisso coletivo dessas organizações em posicionar a moradia digna como um dos principais pilares das estratégias de resiliência urbana e climática.
A Carta foi apresentada pelo diretor de Cidades do WRI Brasil, Luis Antonio Lindau, no Pavilhão Brasil da COP30, durante o painel Periferias e justiça climática: desafios e inovações, que reuniu Ministério das Cidades, governo do Quênia, ONU-Habitat e Sebrae.
“Essa carta é um compromisso público para fortalecer a adaptação climática. Ela integra moradia e justiça climática como eixos inseparáveis, e é também uma convocação para governos, organizações e financiadores", disse Lindau.
Moradia e resiliência andam juntas
Mais de 16 milhões de pessoas vivem em Favelas e Comunidades Urbanas no país. Essa população tem até 15 vezes mais chances de perder a vida quando um evento climático extremo acontece do que quem habita em regiões com acesso a infraestrutura e serviços urbanos. Ao mesmo tempo, em 2022, o déficit habitacional quantitativo brasileiro era de 6,2 milhões de moradias, concentrado nas áreas urbanas e entre famílias de baixa renda, com até dois salários mínimos. Esses dados mostram que as crises da moradia e do clima são duas faces de uma mesma vulnerabilidade urbana.
A iniciativa Re.Habita parte do entendimento de que a moradia digna é um pilar da justiça e da resiliência climática, e que a integração entre essas agendas é condição indispensável para o enfrentamento das desigualdades que estruturam o território brasileiro. O lançamento da Carta durante a COP30 busca ampliar o alcance dessa agenda, mobilizando atores públicos, privados e da sociedade civil para o reconhecimento da moradia como parte da política climática, além de incentivar compromissos concretos para a formulação e financiamento de soluções integradas.
Um convite à participação
A criação da Re.Habita está ancorada na iniciativa REHOUSE, coalizão global voltada à aceleração do desenvolvimento urbano sustentável e da habitação resiliente. Com apoio da REHOUSE, o WRI Brasil elaborou, em 2024, um mapeamento de atores vinculados à questão habitacional no Brasil, resultando na formação institucional inicial da Re.Habita.
A construção da Carta se deu a partir de uma série de encontros mensais realizados pelas instituições, que têm em comum sua atuação com o acesso ao direito à moradia digna, em diferentes escalas e formatos de atuação.
Ao divulgarem a Carta Aberta pela Moradia na Agenda Climática, as instituições da iniciativa Re.Habita convidam outros atores a somarem esforços para ampliar o diálogo e articulação das agendas climática e habitacional.
Projetos
Moradia digna e resiliente
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