Países do BRICS se unem em torno de agenda climática assertiva antes da COP30
RIO DE JANEIRO (7 de julho de 2025) – A Cúpula do BRICS de 2025 que foi concluída no Rio de Janeiro nesta segunda-feira reuniu representantes de países como Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul para avançar uma agenda coordenada de desenvolvimento econômico, cooperação geopolítica e ação climática.
Entre os resultados, destacaram-se os apelos por um fortalecimento do financiamento climático, aprimoramento da contabilização de carbono e a criação de uma plataforma liderada por países em desenvolvimento para alinhar o comércio com metas de sustentabilidade. A cúpula também destacou o papel da transferência de tecnologia e da construção de resiliência como componentes essenciais para uma economia global mais equitativa.
A seguir, o posicionamento de Mirela Sandrini, Diretora-Executiva Interina do WRI Brasil:
“A Cúpula do BRICS deste ano envia o sinal mais claro até agora de que grandes economias emergentes podem assumir um papel de liderança global no enfrentamento da crise climática. Abrangendo finanças, comércio, tecnologia e construção de resiliência, os resultados da cúpula ressaltam um forte apoio à ação climática por parte dos países reunidos no Rio de Janeiro – mesmo enquanto os Estados Unidos dão passos atrás.
É animador ver que as nações do BRICS pediram mais financiamento climático, avanços em mercados de títulos verdes e melhor contabilização de carbono – além de criar uma nova plataforma liderada por países em desenvolvimento para alinhar o comércio com a sustentabilidade. O compromisso com a proteção das florestas tropicais e a ampliação da adaptação é um passo importante para proteger a natureza, construir resiliência e promover o bem-estar humano. A menção específica à iniciativa Tropical Forest Forever Facility dá ainda mais peso a esse compromisso. Essencialmente, os países endossaram que é necessário colocar as pessoas e a equidade no centro de uma transição justa para um futuro de baixa emissão de carbono e resiliente ao clima.
Uma colaboração Sul-Sul com essa escala e ambição pode dar um impulso necessário à diplomacia climática internacional antes da COP30. Porém, será preciso avaliar como os países do BRICS implementarão seus compromissos climáticos nacionalmente – desde a redução de emissões e o fortalecimento da resiliência até o apoio a outros países em desenvolvimento por meio de investimentos e compartilhamento de experiências. Mais importante ainda, o mundo estará atento às novas metas climáticas nacionais que deverão ser apresentadas até setembro, antes da COP30.
O Brasil merece reconhecimento por ter reunido o BRICS em torno de uma visão mais assertiva para a ação climática. O país está costurando com habilidade a diplomacia climática nas agendas globais mais amplas – desde a Presidência do G20, passando pelo BRICS, até a COP30. Essa abordagem integrada ajuda a reduzir a fragmentação entre os fóruns internacionais e posiciona a política climática como um pilar central da reforma econômica e financeira global – impulsionando o crescimento verde e inclusivo que o mundo urgentemente precisa.”