COP30 avança em florestas e financiamento para adaptação, mas fica aquém em combustíveis fósseis
Belém, Brasil (22 de novembro de 2025) — Hoje, os negociadores concluíram a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30). Chegaram a um acordo para triplicar o financiamento para adaptação e realizar, pela primeira vez, uma série de diálogos sobre comércio global no âmbito da UNFCCC. No entanto, as negociações formais ofereceram uma resposta insuficiente à falta de ambição dos compromissos climáticos nacionais, e não chegaram a um acordo sobre os mapas do caminho para a transição para longe dos combustíveis fósseis e para deter o desmatamento – propostas defendidas por muitos países e partes interessadas. Esses mapas do caminho, no entanto, foram anunciados como uma proposta da presidência brasileira da COP30.
Outros destaques importantes da conferência incluem o lançamento do Fundo Florestas Tropicais Para Sempre; grandes esforços para unir governos locais, regionais e nacionais em torno da ação climática; compromissos de financiamento e garantia de direitos territoriais para povos indígenas e comunidades locais; além de uma promessa de quadruplicar os ‘combustíveis sustentáveis’, entre outros assuntos.
A seguir, o posicionamento de Ani Dasgupta, presidente e CEO do World Resources Institute (WRI):
“A COP30 trouxe conquistas importantes como triplicar o financiamento para adaptação, proteger as florestas do mundo, além de ter dado um destaque sem precedentes às vozes dos povos indígenas. Isso demonstra que, mesmo diante de um cenário geopolítico desafiador, a cooperação internacional pelo clima ainda pode gerar resultados concretos.
“Porém, muitos deixarão Belém decepcionados que os negociadores não conseguiram chegar a um acordo para desenvolver um mapa do caminho para longe dos combustíveis fósseis. Mais de 80 países se posicionaram a favor de uma transição justa e equitativa para longe dos combustíveis fósseis, mas o lobby intenso de alguns poucos petroestados enfraqueceu o acordo.”
Nos últimos momentos da conferência, os negociadores incorporaram ao documento final uma breve referência a acordos anteriores para acelerar a transição climática em diversos setores e a presidência brasileira da COP30 anunciou a criação dos mapas do caminho para combustíveis fósseis e florestas fora dos textos de negociação. Agora, cabe ao presidente Lula e à presidência brasileira da COP transformar isso em um plano global forte e inclusivo para essa transição para longe dos combustíveis fósseis. Um plano global igualmente sólido para frear e reverter o desmatamento também é fundamental.
“A COP30 concentrou-se, mais do que nunca, na transição econômica. Os países reconheceram que, ao acelerar a ação climática, serão recompensados com crescimento, investimento, segurança, competitividade e empregos de qualidade. Quem deixar a transição de lado ficará para trás. O resultado sobre transição justa destacou que descarbonizar nossas economias e promover o desenvolvimento social e econômico são objetivos que se reforçam mutuamente. Pela primeira vez nas negociações climáticas da ONU, os países concordaram em discutir como o comércio global pode se tornar uma ponte, e não uma barreira, para o progresso climático.”
“Belém, porta de entrada da Amazônia, foi um poderoso cenário para que a natureza ocupasse o centro dos debates – não como um assunto paralelo, mas central para o sucesso da ação climática. O Fundo Florestas Tropicais Para Sempre tem grande potencial para ser um avanço transformador para as florestas do mundo – agora, mais países precisam contribuir com os recursos necessários para transformar essa promessa em ação.
“Apesar dos retrocessos nas salas de negociação, muitos de nós lembrarão de Belém como a COP da ação. Cidades e estados se mobilizaram em massa, com 14.000 governos locais comprometendo-se a reduzir drasticamente as emissões e proteger as comunidades do calor extremo. Mais países se comprometeram a eliminar o carvão, restaurar florestas, transformar seus sistemas alimentares e gerir seus oceanos de forma sustentável. Treze nações e uma região lançaram ‘plataformas nacionais’ para mobilizar, em grande escala, financiamento público e privado para suas prioridades climáticas e de desenvolvimento. Concessionárias que atendem milhões de consumidores anunciaram quase US$ 150 bilhões para novas redes e armazenamento de energia. Grandes novas iniciativas foram destacadas para criar empregos verdes e harmonizar a contabilidade de carbono, e quase 120 planos de aceleração foram apresentados no âmbito da Agenda de Ação da COP30.”
“O Roteiro de Baku a Belém para US$ 1,3 trilhão representou uma mudança de patamar ao apresentar etapas práticas para garantir que diferentes fontes de financiamento trabalhem de forma integrada para impulsionar investimentos em grande escala. Os anúncios feitos ao longo da semana — de garantias de risco a plataformas nacionais — mostraram que essas ideias já estão passando do conceito para a implementação.”
“A COP30 conseguiu colocar as pessoas no centro da ação climática. Os Povos Indígenas participaram em número recorde e fizeram suas vozes serem ouvidas. O Balanço Ético Global mostrou que equidade, inclusão e responsabilidade devem orientar todas as decisões. Trata-se de um avanço significativo os novos compromissos relacionados aos direitos territoriais e ao financiamento para Povos Indígenas, embora ainda seja necessário fazer muito mais.”