Socioeconomia do Clima
Desenvolver critérios e recomendações para integrar aspectos sociais às políticas e ações de mitigação e adaptação é fundamental para que a transição climática aconteça de maneira justa e inclusiva com justiça climática.
Colocar as pessoas no centro da ação climática é requisito essencial para a transição para economia de baixo carbono justa e resiliente. Para isso, as estratégias e políticas climáticas devem se embasar na justiça climática: sendo inclusivas e que busquem maximizar os benefícios da transição e distribui-los de maneira equitativa na sociedade. Esse é um tema transversal nos projetos do Programa de Clima, Economia e Finanças e é foco de trabalhos específicos, que abordam o desenvolvimento social nas ações climáticas.
O objetivo é que os processos de descarbonização e adaptação às mudanças climáticas ocorram de forma justa, considerando os diferentes impactos causados às populações mais vulneráveis e tendo como lentes fatores essenciais para o desenvolvimento social no Brasil, como gênero e raça.
Arcabouço para Justiça Climática no Brasil
A iniciativa foca na criação de critérios para a construção de um arcabouço de análise de justiça climática. O trabalho permite:
- A análise dos impactos socioeconômicos e dos múltiplos objetivos de desenvolvimento que estão por trás das políticas de mitigação e adaptação. A partir desse estudo, é possível traçar estratégias para que medidas de enfrentamento à crise climática beneficiem especialmente os grupos mais vulneráveis.
- Oferecer orientações para políticas e ações no contexto brasileiro para que sejam colocados em prática a justiça climática, a transição justa e os objetivos de desenvolvimento social, econômico e ambiental.
Indústria verde e transição climática justa
O projeto está voltado para a criação e o compartilhamento de produtos de conhecimento sobre setores verdes e questões relacionadas ao comércio. Ele contempla:
- Análise comparativa entre políticas industriais verdes globais e brasileiras, com foco em transição justa, empregos verdes e prosperidade econômica para mitigação e remoção de carbono;
- Análise socioeconômica do uso de biometano na indústria, focando em justiça climática, crescimento, emprego verde e receita pública;
- Elaboração de recomendações políticas para alcançar net zero no setor industrial até 2050, com justiça climática e prosperidade econômica.
Contas climáticas
Esta iniciativa busca evidenciar as “contas climáticas”, ou seja, os custos domésticos gerados por impactos climáticos no cotidiano. Elas incluem gastos diretos com água, alimentos, saúde, transporte e reparos, além de custos menos visíveis, como tempo de cuidado, interrupções de trabalho e estudo e efeitos na saúde física e mental de quem vivencia esses impactos.
Populações historicamente vulnerabilizadas, como mulheres, pessoas negras e lares chefiados por responsáveis solo, já enfrentam maior vulnerabilidade socioeconômica e, por isso, tendem a ficar mais expostas a despesas relacionadas a eventos extremos e mudanças graduais do clima. Com o agravamento da crise climática, milhões de pessoas podem ser empurradas para a extrema pobreza, ampliando desigualdades existentes.
Ao investigar como essas populações financiam a adaptação no dia a dia com tempo, renda e saúde, a iniciativa torna visível uma dimensão frequentemente subestimada da crise climática. As evidências produzidas podem orientar políticas fiscais e orçamentárias, proteção social e investimentos públicos com mais eficiência, prevenção e equidade, fortalecendo respostas climáticas mais eficazes e centradas nas pessoas.