O que é COP e o que esperar da conferência no Brasil?
De 10 a 25 de novembro, a Amazônia será palco da principal conferência global sobre o clima: a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30). Durante o encontro no Brasil, representantes dos setores público e privado, da sociedade civil, pesquisadores e cientistas de diversos países discutirão formas de avançar em estratégias que promovam o financiamento, a mitigação e a adaptação às mudanças climáticas.
O que é COP?
A conferência climática da ONU — conhecida como “Conferência das Partes” ou COP — é o principal fórum em que são firmados os acordos internacionais sobre o clima. Todos os anos, representantes de mais de 190 países integrantes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), tratado internacional adotado em 1992, se reúnem para negociar compromissos e definir planos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE), fortalecer a resiliência das comunidades, financiar ações climáticas e muito mais. Em resumo, o que acontece nas COPs ajuda a definir como — e se — o mundo será capaz de enfrentar a crise climática.
O que são as COPs e por que elas são importantes?
Nas COPs, os negociadores climáticos dos países tomam decisões sobre como a UNFCCC e seus tratados associados — como o Acordo de Paris — serão implementados. Em linhas gerais, a COP é o momento em que os tomadores de decisão de todas as nações se reúnem para avaliar os esforços coletivos contra a mudança do clima e definir novas ações para acelerá-los.
Fora das negociações formais, as COPs também se tornaram um espaço estratégico para empresas, ONGs, governos locais e outros atores anunciarem novas iniciativas e compromissos climáticos.
A conferência de 2025 será a 30ª edição do evento — por isso, o nome “COP30”.
O que as COPs já conquistaram?
As COPs têm impulsionado grande parte da ação climática global até hoje. Entre os resultados mais importantes está o Acordo de Paris de 2015, que reuniu quase todos os países do mundo em um compromisso coletivo para reduzir emissões e limitar o aumento da temperatura global a bem abaixo de 2°C, buscando 1,5°C.
Outros acordos firmados nas COPs incluem compromissos para reduzir gradualmente o uso de combustíveis fósseis, ampliar a energia limpa, proteger e restaurar ecossistemas, apoiar comunidades vulneráveis na adaptação aos impactos climáticos, aumentar o financiamento climático e muito mais.
Esses resultados são registrados em decisões oficiais de cada conferência, que detalham as medidas acordadas por todas as Partes e estabelecem itens de ação para as próximas COPs.
O que aconteceu na última conferência do clima da ONU?
Realizada em Baku, Azerbaijão, entre 11 e 22 de novembro de 2024, a COP29 teve como principal resultado o acordo para uma nova meta global de financiamento climático (NCQG, na sigla em inglês). Os países definiram a mobilização de US$ 1,3 trilhão por ano até 2035, com prioridade para ações de mitigação, adaptação e compensação de perdas e danos em países em desenvolvimento. O texto reconhece que os países desenvolvidos devem liderar o processo, mas abre espaço para fontes privadas e multilaterais contribuírem com o volume necessário.
Outro avanço foi o progresso nas negociações sobre o Artigo 6 do Acordo de Paris, que trata dos mercados internacionais de carbono, com novas diretrizes para garantir mais transparência e integridade ambiental nas trocas entre países.
Apesar dos resultados, países em desenvolvimento e organizações da sociedade civil consideraram o texto final pouco ambicioso diante da urgência climática. As críticas se concentraram na ausência de compromissos claros para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis e na dependência de instrumentos financeiros baseados em dívida, o que pode aumentar a vulnerabilidade econômica dos países mais pobres.
O que estará na pauta da COP30?
Faz 10 anos desde o histórico Acordo de Paris, mas as emissões globais ainda não caem rápido o suficiente. Eventos climáticos extremos continuam causando grandes perdas, e a Amazônia, sede da COP30, segue registrando destruição recorde de florestas. Na conferência e nos eventos que a antecedem, líderes nacionais e atores globais precisam transformar compromissos em ações concretas para proteger pessoas, natureza e clima.
Os avanços críticos estão em quatro áreas: transformar o sistema financeiro, fortalecendo investimentos sustentáveis; aumentar a resiliência climática, garantindo adaptação para comunidades vulneráveis; apresentar planos climáticos nacionais ambiciosos (NDCs), conectando metas a ações concretas; e proteger e restaurar natureza, transformando sistemas alimentares e reconhecendo o papel de povos indígenas e comunidades locais.
A Agenda de Ação funciona como a ponte que conecta esses esforços, reunindo governos, empresas, cidades e sociedade civil para acelerar a implementação. Com seus seis eixos estratégicos — energia limpa, florestas e biodiversidade, agricultura e alimentos, resiliência urbana, desenvolvimento humano e aceleradores transversais —, ela transforma compromissos em ações concretas, alinhando NDCs e iniciativas de diferentes atores para gerar resultados tangíveis e reforçar a ambição climática global.
Qual é o papel do WRI nas COPs?
O WRI tem sido um dos principais articuladores técnicos e científicos das Conferências do Clima (COPs), contribuindo tanto para as negociações formais quanto para a implementação de soluções concretas. Antes do Acordo de Paris, os estudos ajudaram a moldar o tratado e, posteriormente, o “livro de regras” que viabilizou sua execução. A organização também foi decisiva para colocar o tema de perdas e danos no centro das discussões da COP27, ampliando a voz dos países mais vulneráveis.
Fora das mesas de negociação, o WRI mobiliza governos, empresas e sociedade civil para elevar a ambição climática e acelerar a ação. Suas pesquisas orientaram avanços em sistemas alimentares sustentáveis, soluções baseadas na natureza e cooperação entre cidades, como na coalizão CHAMP lançada na COP28. Agora, rumo à COP30, o foco está em fortalecer o financiamento climático, apoiar a revisão das metas nacionais e promover a implementação efetiva dos compromissos já assumidos.
Conheça as alavancas para alcançar US$ 1,3 trilhão por ano em financiamento climático até 2035:
Confira os cinco pontos que estarão em foco durante o encontro:
Texto inspirado no artigo do Insights