A ciência como aliada na busca de soluções para a crise climática
A ciência tem papel fundamental na produção de conhecimento que subsidie a construção de políticas públicas. É a partir de dados confiáveis e do olhar criterioso para o contexto vivido que os países podem se fortalecer para responder aos desafios climáticos.
Essas informações, no entanto, nem sempre são acessíveis ou de fácil entendimento para aqueles que têm a responsabilidade de tomada de decisão. Pensando em aproximar esse público da produção científica e muni-los de informações de qualidade, o Centro de Síntese em Mudanças Ambientais e Climáticas (SIMACLIM) produziu quatro relatórios sobre temas urgentes ligados às mudanças ambientais e climáticas. Os documentos, que apresentam uma síntese de evidências científicas, abordam o Sistema Florestal Amazônico, o branqueamento de corais, o potencial de florestas de manguezais e cidades verdes-azuis resilientes. Ao longo de suas páginas, são expostos os problemas de cada tema e suas implicações, assim como as soluções e os benefícios trazidos por elas.
O projeto reuniu os esforços de pesquisadores nacionais e internacionais em cada tema e o WRI Brasil foi parceiro desse projeto, produzindo os sumários executivos. Conheça a seguir mais detalhes sobre os relatórios:
Branqueamento de corais e mudanças climáticas
Com valor estimado em mais de R$ 160 bilhões por ano, os recifes de coral rasos sustentam a pesca artesanal, o turismo e oferecem proteção natural contra eventos climáticos extremos no Brasil. No entanto, esses ecossistemas enfrentam uma crise sem precedentes. Algumas regiões brasileiras registram 90% de branqueamento dos corais, fenômeno que os deixa mais vulneráveis a doenças e à morte. O colapso dos recifes de coral brasileiro está sendo acelerado por fatores como as ondas de calor marinhas, acidificação dos oceanos, desoxigenção e poluição. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) projeta que, com o aumento da temperatura média global de 1,5 °C, 70–90% dos recifes podem desaparecer; com 2 °C, até 99% serão perdidos.
O relatório destaca que preservar a integridade dos recifes é essencial para a segurança alimentar, a economia costeira e a resiliência das comunidades humanas. Mais de 1 milhão de pessoas dependem diretamente da pesca artesanal nas regiões costeiras brasileiras, atividade sustentada pela biodiversidade dos recifes. São eles também que protegem áreas costeiras de inundações e erosões, já que funcionam como barreiras naturais, absorvendo até 97% da energia das ondas em áreas tropicais.
Reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE), fazer o monitoramento sistemático desses ecossistemas e fortalecer políticas públicas é fundamental para proteger os recifes.
Potencial de florestas de manguezais para ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas no Brasil
Apesar de o Brasil possuir a segunda maior extensão de manguezais do mundo (cerca de 1,1 milhão de hectares) e de boa parte deles estarem localizados dentro de Unidades de Conservação (UC), as florestas de manguezais brasileiros continuam sob ameaça e sofrem perdas significativas e degradação.
Essa perda provoca consequências sociais, econômicas e ambientais. A degradação, por exemplo, prejudica os estoques pesqueiros, afetando a subsistência e a renda de cerca de 278 mil pescadores artesanais no Brasil que dependem direta ou indiretamente desses ecossistemas. Ela também deixa 120 milhões de pessoas em todo o mundo mais vulneráveis a eventos climáticos extremos, pois os manguezais atuam como barreiras naturais, protegendo a costa contra tempestades, ondas e erosão. Além disso, sem manguezais conservados, 12 tCO₂eq/ha (toneladas de dióxido de carbono equivalente por hectare) por ano deixam de ser removidos da atmosfera.
Fortalecer o arcabouço legal e sua fiscalização para deter e reverter a perda de manguezais, investir em programas de restauração e reabilitação de manguezais em larga escala, e integrar formalmente os manguezais no inventário nacional de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) são algumas das soluções propostas na publicação para enfrentar a degradação do ecossistema.
Ponto de inflexão do Sistema Florestal Amazônico
A Amazônia enfrenta riscos crescentes de ultrapassar pontos de inflexão, em que mudanças graduais no clima e no uso da terra podem desencadear transformações abruptas e irreversíveis no ecossistema. O documento ressalta a urgência de ações integradas de mitigação e adaptação — como conter o aquecimento global, zerar o desmatamento, adotar alternativas sustentáveis para o uso da terra e implementar sistemas de alerta precoce — para evitar uma transição irreversível da Amazônia.
Cidades verdes-azuis resilientes
O relatório propõe caminhos para tornar os centros urbanos mais resilientes, inclusivos e sustentáveis, a partir da integração entre sistemas naturais (verdes e azuis) e o planejamento urbano. Ele enfatiza a importância de soluções baseadas na natureza, governança participativa e justiça climática, por exemplo.
Acesse os relatórios e os sumários executivos
Os relatórios completos e os sumários executivos em português e em inglês podem ser acessados no site do SIMACLIM.