Brasil lança o Fundo Florestas Tropicais Para Sempre
Belém, Brasil (6 de novembro de 2025) – Hoje, durante a Cúpula de Líderes da COP30 em Belém, a presidência brasileira da COP30 lançou oficialmente o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, conhecido como TFFF, um mecanismo destinado a fornecer financiamento de longo prazo e previsível para países que protegem e manejam de forma sustentável suas florestas tropicais.
Após as contribuições iniciais do Brasil, Portugal, Noruega e Indonésia anunciaram promessas de aportes até o momento, embora quase 50 países tenham expressado apoio à iniciativa. O Brasil estabeleceu uma meta de capitalização de US$ 125 bilhões para o TFFF e pretende levantar US$ 10 bilhões inicialmente junto a governos e filantropias, o que deve alavancar investimentos adicionais de setores privados, corporativos e filantrópicos.
A seguir o posicionamento de Mirela Sandrini, diretora executiva do WRI Brasil, sobre o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, conhecido como TFFF:
"Da Amazônia ao Congo e ao Sudeste Asiático, as florestas que sustentam a vida no planeta enfrentam um alerta vermelho. Se mais países contribuírem, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, conhecido como TFFF, pode representar um grande avanço, invertendo a lógica econômica do desmatamento ao tornar as florestas mais rentáveis em pé do que derrubadas".
“O apoio de mais de 50 países é um começo promissor e marca um crescente reconhecimento da importância da ação coletiva para proteger e restaurar as florestas. Porém, o grupo de países que contribuíram efetivamente é limitado. É essencial um apoio mais amplo para que o fundo se torne totalmente operacional. Será um teste definitivo para saber se as nações — especialmente as mais ricas — reconhecem a responsabilidade compartilhada na proteção das florestas que sustentam todas as economias do planeta".
“O Fundo só terá êxito se realmente beneficiar os Povos Indígenas e as comunidades locais que dependem das florestas para seu sustento. A exigência de destinar 20% dos pagamentos a esses povos e comunidades é um passo importante nessa direção".
“Apenas mobilizar recursos não é suficiente, e um trabalho intenso tem sido desenvolvido para desenhar o fundo. A sua operação precisa ser à prova de falhas — com supervisão transparente e priorizando a proteção das florestas tropicais intactas, ao mesmo tempo em que envolve genuinamente os Povos Indígenas e as comunidades locais. O TFFF também deve lidar com a degradação — quando as florestas são impactadas pela extração de madeira, mineração ou construção de estradas — e com o vazamento — quando proteger uma área apenas desloca a destruição para outra. Sem essa precisão, o fundo corre o risco de se tornar apenas mais uma promessa bem-intencionada, e não um verdadeiro avanço".
“É importante destacar que o TFFF foi concebido por e para o Sul Global, refletindo realidades e prioridades locais. Ele mostra como os países em desenvolvimento podem construir suas próprias soluções climáticas, ao mesmo tempo em que se engajam de forma responsável com os mercados globais de capitais. Este não é apenas mais um fundo, representa uma mudança mais ampla que precisamos no sistema financeiro — redirecionando capital existente para investimentos inteligentes, seguros e positivos para o clima".