A perda florestal primária nos trópicos diminuiu em 2025, após perdas recordes em 2024 causadas por incêndios extremos. Novos dados do laboratório GLAD da Universidade de Maryland, disponíveis no Global Forest Watch do WRI e Global Nature Watch, mostram que a perda de florestas tropicais primárias caiu 36% em comparação com 2024.

A perda de floresta tropical primária diminuiu em 36% de 2024 a 2025 após um ano recorde de incêndios extremos

Embora a redução seja encorajadora, o mundo ainda perdeu 4,3 milhões de hectares de floresta tropical primária em 2025, o equivalente a mais de 11 campos de futebol de floresta por minuto. A perda de floresta tropical primária ainda é 46% maior do que há uma década.

Essa perda florestal contínua compromete os muitos serviços que as florestas tropicais primárias oferecem. Esses ecossistemas são fundamentais para a biodiversidade, fornecimento de água, armazenamento de carbono, alimentos e medicamentos, identidade cultural e muito mais.

Embora os dados de perda de cobertura arbórea da Universidade de Maryland tenham cobertura global, o Global Forest Watch se concentra principalmente na perda nos trópicos, porque é onde ocorre mais de 94% do desmatamento ou remoção de longo prazo da cobertura florestal causada pelo homem. Esse artigo tem como foco principal as florestas primárias dos trópicos úmidos, que são áreas de floresta tropical madura especialmente importantes para a biodiversidade, o armazenamento de carbono e a regulação do clima regional e local.

Grande parte da redução em 2025 veio de quedas acentuadas no Brasil, que registrou uma redução de 42% na perda florestal primária. No entanto, o Brasil ainda foi o país com a maior área de perda de floresta tropical, considerando o tamanho de suas florestas.

Vários outros países florestais grandes, incluindo Colômbia, Indonésia e Malásia, também registraram taxas relativamente baixas ou estáveis de perda florestal em 2025 em comparação com os últimos anos. A perda de florestas tropicais primárias permaneceu alta em países como a Bolívia e a República Democrática do Congo.

Alguns países dominaram a perda de florestas tropicais primárias em 2025 por área, mas o detalhamento é diferente por porcentagem

A expansão agrícola foi a principal causa de perda de cobertura arbórea nos trópicos, incluindo tanto a produção de commodities voltada para o mercado quanto a agricultura de subsistência para atender às necessidades domésticas. Em todo o mundo, os incêndios foram novamente um dos principais fatores da perda de cobertura arbórea em 2025, de acordo com as tendências recentes. Nos últimos três anos, os incêndios queimaram mais que o dobro da cobertura arbórea do que há duas décadas. A mudança climática está ameaçando florestas dentro e fora dos trópicos, com calor extremo e seca alimentando queimadas maiores e mais prejudiciais.

Em 2025, continuaram as tendências observadas nos últimos 25 anos, com a agricultura sendo a principal causa da perda de cobertura arbórea tropical e os incêndios impulsionando a perda nas regiões temperadas e boreais do Hemisfério Norte

Para entender melhor as tendências subjacentes na perda florestal, é útil considerar a perda não relacionada a incêndios separadamente da perda relacionada a incêndios. O fogo se tornou um fator cada vez mais proeminente da perda florestal globalmente, em parte, devido aos ciclos de retroalimentação das mudanças climáticas, mas também varia muito de ano para ano, dependendo das condições climáticas, como a seca.

Algumas das perdas relacionadas a incêndios que aparecem nos dados de 2025 de fato ocorreram durante incêndios no final da temporada em 2024 que não foram registrados antes devido à fumaça e à névoa, o que pode atrasar a detecção por satélite. Esse atraso na detecção torna desafiador avaliar quanta perda por incêndio ocorreu em 2025 e como a perda causada por incêndio mudou de 2024 para 2025, especialmente, após um ano de incêndio tão extremo em 2024. Incêndios podem causar danos significativos e florestas nem sempre se recuperam.

Por outro lado, a perda não relacionada a incêndios, como a limpeza para agricultura, infraestrutura, extração de madeira ou mineração, é menos influenciada pela variabilidade de curto prazo no clima e na detecção.

Com apenas alguns anos restantes para cumprir a meta global de interromper e reverter a perda florestal até 2030, países como o Brasil mostram que proteger florestas é possível por meio de políticas públicas e outras medidas. Mas alcançar a meta global não será fácil, pois as florestas se tornam mais vulneráveis às mudanças climáticas e à crescente demanda da humanidade por alimentos, combustíveis e materiais provenientes de florestas e das terras em que se encontram.

Aqui está uma visão mais profunda de algumas das principais descobertas dos dados de 2025:

Políticas públicas desaceleram a perda florestal em grandes países tropicais  

Vários países reduziram ou pelo menos estabilizaram a perda florestal em 2025, incluindo Brasil, Colômbia, Indonésia e Malásia. Esses desenvolvimentos encorajadores foram associados a políticas públicas, à melhor aplicação da lei e a ações corporativas voluntárias para limitar o desmatamento. Está claro que, quando os países têm a determinação política de melhorar a governança florestal, eles podem reduzir a perda de forma relativamente rápida.

O Brasil oferece um dos exemplos mais claros. Lar da maior floresta tropical do mundo, o Brasil registrou a menor taxa de perda florestal primária não relacionada a incêndios já registrada em 2025, 41% menor do que em 2024. O Brasil também teve uma porcentagem menor de perda do que muitos outros países, perdendo 0,5% de floresta primária em 2025. Essas descobertas estão alinhadas com o PRODES, o sistema oficial de monitoramento florestal do Brasil.

O Brasil reduziu substancialmente a perda florestal primária em 2025 e registrou seu menor nível de perda florestal primária não relacionada a incêndios

Fora das florestas tropicais primárias, a maioria dos outros biomas brasileiros também registrou redução na perda de cobertura arbórea, exceto a Caatinga, que aumentou em 9%. A Amazônia e o Pantanal tiveram as maiores reduções na perda de cobertura arbórea de 2024 a 2025.

A perda de cobertura arbórea diminuiu na maioria dos biomas brasileiros de 2024 a 2025

As quedas do Brasil estão associadas a políticas ambientais e fiscalização mais fortes desde 2023, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (conhecido como Lula) assumiu o cargo. Por exemplo, a administração de Lula relançou o PPCDAm, uma estrutura de política antidesmatamento que coordena ações em 19 agências federais e a expandiu para cobrir todos os biomas. Originalmente estabelecido em 2004, o PPCDAm ajudou a impulsionar grandes reduções na perda florestal primária na Amazônia no início dos anos 2000. A aplicação da lei também aumentou – a agência ambiental federal do Brasil, o IBAMA, aumentou os autos de infração ambiental em 81% e as multas em 63% de 2023 a 2025 em comparação com 2020 a 2022.  

O Brasil também desempenhou uma função importante na formação de esforços globais para proteger florestas, incluindo o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (Tropical Forest Forever Facility - TFFF) na COP30, um mecanismo financeiro proposto para recompensar países de florestas tropicais por preservar suas florestas.

No entanto, as ameaças às florestas brasileiras permanecem. A agricultura permanente continua a ser o maior fator da perda florestal primária (73% entre 2002 e 2025), em grande parte para soja e gado. Alguns estados da Amazônia aprovaram uma legislação para enfraquecer as proteções ambientais no âmbito estadual, ameaçando comprometer o progresso.

Por exemplo, Rondônia, Maranhão e Mato Grosso removeram incentivos fiscais para empresas que fazem parte da moratória da soja, um acordo voluntário entre comerciantes de soja para não comprar soja de áreas desmatadas na Amazônia. Essas mudanças aumentam a incerteza em torno do futuro da moratória da soja e são uma das razões pelas quais, no início de 2026, grandes comerciantes de soja anunciaram planos de se retirar do acordo.

Além disso, embora as ações do governo para reduzir incêndios e a melhora das condições climáticas tenham retardado a perda causada por incêndios no Brasil em geral, ainda havia focos de incêndio no estado do Maranhão que provavelmente foram provocados por humanos.  

Outros países tropicais que observaram um declínio ou estabilização na perda florestal incluem:

Colômbia

A perda florestal primária na Colômbia diminuiu 17% de 2024 a 2025. Este foi o segundo ano mais baixo desde 2016, mas acima do nível mais baixo em 2023.

A perda florestal primária na Colômbia diminuiu 17% de 2024 a 2025

O declínio está ligado a políticas e acordos governamentais destinados a limitar o desmatamento. Por exemplo, uma resolução de 2025 estabeleceu a estrutura legal para criar concessões florestais para membros da comunidade rural como uma ferramenta para a conservação florestal. O recente reconhecimento das Entidades Territoriais Indígenas para autogovernar extensas áreas da Amazônia colombiana também é um grande passo à frente, dando aos povos indígenas mais autoridade para defender suas florestas. Uma nova lei que exige rastreabilidade para o setor pecuário do país também é um desenvolvimento significativo, com o objetivo de garantir que a carne bovina vendida nos mercados colombianos não esteja ligada ao desmatamento

Ainda assim, as ameaças continuam. As estradas têm se expandido para dentro das florestas da Amazônia, inclusive dentro de áreas protegidas e Territórios Indígenas. Essas estradas supostamente ilegais estão frequentemente ligadas a atividades envolvendo grupos armados, incluindo a produção de cultivos ilícitos, a grilagem de terras e a subsequente expansão da pecuária. E apesar da proibição recente do país de novos projetos de mineração na Amazônia, a mineração ilegal é uma ameaça emergente.

Indonésia

A perda florestal primária aumentou 14% na Indonésia de 2024 a 2025, mas as taxas permaneceram bem abaixo dos picos de meados da década de 2010. (Leia mais aqui sobre como os dados da UMD diferem dos dados oficiais da Indonésia.)

A perda florestal primária na Indonésia aumentou 14% de 2024 a 2025, impulsionada em parte pela expansão agrícola e por atividades de mineração

As políticas governamentais ajudaram a manter a perda florestal relativamente baixa nos últimos anos, incluindo uma moratória permanente sobre novas permissões em florestas primárias e turfeiras, o fortalecimento da prevenção e do monitoramento de incêndios e a meta FOLU Net Sink 2030 da Indonésia, que visa que o setor florestal e de uso da terra absorva mais carbono do que emite até o final da década. Compromissos voluntários do setor privado com a produção de celulose e dendê sem desmatamento também desempenharam uma função importante. Promessas mais recentes de fortalecer os direitos à terra dos Povos Indígenas também sinalizam um impulso contínuo na proteção florestal.

Parte do aumento de 2025 está ligada à expansão agrícola, incluindo o desmatamento em Papua do Sul associado ao programa Food Estate do governo. Esta política faz parte de um esforço maior para aumentar a segurança alimentar e energética e espera-se que continue moldando o uso da terra nos próximos anos. A expansão da mineração, particularmente de níquel, também está alimentando a perda florestal em Sulawesi e outras regiões.

A expansão da mineração impulsionou a perda florestal em Sulawesi, Indonésia

Malásia

A Malásia é outro exemplo em que as políticas estão funcionando para estabilizar a perda florestal. Historicamente, a expansão do dendê tem impulsionado a maior parte do desmatamento na Malásia – políticas direcionadas ao setor geraram um impacto desproporcional na redução da perda florestal. Os esforços do governo para limitar a expansão do dendê em áreas florestais, fortalecer a governança florestal e comprometer-se a manter pelo menos 50% de cobertura florestal estão trabalhando em conjunto com compromissos corporativos voluntários para reduzir o desmatamento. Mais recentemente, uma certificação mais forte, Malaysia Sustainable Palm Oil (MSPO), provavelmente também ajudou a sustentar taxas mais baixas de perda florestal.

A perda florestal primária na Malásia permaneceu baixa em 2025.

No entanto, a Malásia perdeu quase um quinto das florestas tropicais primárias desde 2001, em grande parte devido à expansão agrícola e à extração de madeira.

A expansão de commodities impulsionou a perda florestal na América Latina e no Sudeste Asiático

A demanda por commodities como gado, soja, dendê, ouro e outros minerais continuou a alimentar a perda florestal em alguns países, particularmente em partes da América Latina e do Sudeste Asiático. Embora os fatores da perda florestal variem de acordo com o país, eles refletem um desafio comum de incentivos econômicos persistentes para converter florestas enquanto subestimam os muitos benefícios que elas fornecem.

Bolívia

A perda florestal primária atingiu o segundo nível mais alto já registrado na Bolívia em 2025, após os incêndios recordes do ano passado. A Bolívia mais uma vez teve a segunda maior quantidade de perda florestal primária tropical em 2025, maior do que a da República Democrática do Congo, apesar de conter 60% menos área de floresta primária.

A perda de floresta primária da Bolívia em 2025 foi a segunda maior já registrada, após um aumento sem precedentes em 2024

Os incêndios, provavelmente provocados por humanos, impulsionaram grande parte da perda florestal primária em 2025, embora grande parte dessa perda inclua a detecção tardia de incêndios no final da temporada de 2024, quando a Bolívia sofreu um ano de incêndios devastador após secas severas. Embora as chuvas tenham retornado aos níveis normais em algumas partes do país em 2025, a Bolívia precisará tomar medidas proativas de prevenção e mitigação do fogo para evitar incêndios catastróficos no futuro, especialmente à medida que as mudanças climáticas aumentam a frequência e a intensidade de condições secas e quentes.

Novos focos de perda de floresta primária na Bolívia mostram expansão contínua da perda florestal no norte, registrando incêndios em grande escala em El Beni

A perda florestal primária não relacionada a incêndios foi a quarta maior já registrada, causada em grande parte pela expansão da pecuária e de cultivos como soja, milho e sorgo. As perdas continuaram apesar da escassez de combustível em 2025, que limitou o uso de máquinas agrícolas e interrompeu o transporte ao longo das cadeias de suprimentos. Há poucos indícios de que a Bolívia provavelmente tomará medidas para evitar mais avanço da agricultura sobre as florestas do país.

Peru e Laos

Embora o Peru e o Laos tenham tido quedas na perda florestal primária de 2024 a 2025 (8% e 31%, respectivamente), ambos permaneceram na lista dos 10 países com maior área de perda florestal primária tropical. As taxas gerais de perda florestal foram elevadas em 2025 em comparação com os anos anteriores devido à expansão agrícola.

No Peru, a perda foi impulsionada em grande parte pela expansão de culturas como cacau e dendê, bem como pela mineração. Por exemplo, a mineração de ouro foi responsável por 33% da perda florestal primária de 2002 a 2025 na região de Madre de Dios.

No Laos, a perda foi impulsionada especialmente por borracha, mandioca, bananas e outras exportações agrícolas ligadas a mercados na China, Tailândia e Vietnã. A agricultura de subsistência em pequena escala também causou perda de floresta em algumas áreas.

Necessidades de subsistência e desafios de governança alimentaram a perda florestal em algumas regiões

Embora a produção de commodities em grande escala impulsione a perda de florestas em algumas regiões, em outras, incluindo partes da Bacia do Congo, Madagascar e partes do Sudeste Asiático, como as terras altas em Mianmar e no norte do Laos, a perda está mais intimamente ligada às necessidades locais de alimento e lenha, decorrentes da pobreza e de alternativas econômicas limitadas. Crescimento populacional, governança instável e condições econômicas também contribuem.

Por exemplo, a Bacia do Congo, que inclui Camarões, a República Centro-Africana, a República Democrática do Congo, a Guiné Equatorial, o Gabão e a República do Congo, é o maior sumidouro de carbono remanescente de florestas tropicais do mundo e desempenha uma função fundamental na regulação do clima global. Mas, em alguns países da Bacia do Congo, a perda florestal primária tem aumentado na última década.

A República Democrática do Congo (RDC), que detém a segunda maior área do mundo de floresta primária tropical, registrou a terceira maior área de perda florestal primária tropical em 2025. Contudo, a porcentagem de perda (0,5%) continuou mais baixa do que a de muitos países.

A perda florestal primária na RDC diminuiu 5% de 2024 a 2025, mas a perda não relacionada a incêndios foi a mais alta já registrada

A maior parte da perda florestal primária da RDC (86% entre 2002 e 2025) foi devida ao cultivo itinerante em pequena escala, no qual a terra é desmatada para cultivo de curto prazo e, em seguida, deixada em pousio para que as florestas e os nutrientes do solo se recuperem. A extração de madeira para lenha e carvão vegetal, a forma dominante de energia no país, também foi um dos principais fatores. A perda florestal primária não relacionada a incêndios foi a maior já registrada para o país, sugerindo que esses fatores continuam a se intensificar.

No leste da RDC, o conflito contínuo forçou as comunidades a entrar em novas áreas, onde muitas desmataram florestas para criar novos assentamentos, fazendas ou coletar madeira para moradia e combustível. A mineração também contribuiu, pois fornece meios de subsistência e, em algumas áreas, opera sob o controle de grupos armados. A mineração também pode impulsionar indiretamente a perda de floresta, ao levar mais pessoas para regiões anteriormente remotas, que então desmatam florestas para agricultura e assentamentos.

Novos focos de perda florestal primária na RDC estão perto de áreas de conflito no leste e de áreas de novo cultivo itinerante no oeste

A conversão permanente de florestas para produzir commodities agrícolas para exportação continuou sendo uma ameaça menor, mas crescente, às florestas da RDC. Por exemplo, a área de produção de cacau do país aumentou mais de cinco vezes entre 2015 e 2024.

A perda de floresta variou entre outros países da Bacia do Congo.

A perda florestal primária na Bacia do Congo em 2025 variou entre os países

A República do Congo e o Gabão, ambos países com “Alta Floresta, Baixo Desmatamento”, apresentaram baixos níveis de perda em 2025 após um aumento na perda relacionada a incêndios em 2024 na República do Congo. Camarões, no entanto, registrou sua maior perda florestal primária já registrada. Camarões é o terceiro maior produtor de cacau na África e os aumentos na perda florestal primária nos últimos anos foram parcialmente devidos à produção de cacau, bem como a comunidades deslocadas por conflitos armados.

A perda contínua de florestas primárias na Bacia do Congo, incluindo nas vastas turfeiras antigas que armazenam grandes quantidades de carbono, pode enfraquecer a capacidade da região de armazenar carbono e regular o clima. Ela também ameaça os meios de subsistência e a segurança alimentar de aproximadamente 100 milhões de pessoas que dependem dessas florestas, as mesmas comunidades cujas necessidades estão gerando grande parte da perda.

As mudanças climáticas estão aumentando as ameaças às florestas em todo o mundo

A mudança climática é uma força grande e crescente por trás da perda de florestas. Ela intensifica a seca, o calor e as tempestades que tornam as florestas mais vulneráveis a incêndios, ventos, pragas e doenças.

Embora todas as florestas enfrentem riscos crescentes de incêndio, os incêndios florestais geraram os impactos mais visíveis nas regiões boreais e temperadas em 2025. Os incêndios foram responsáveis por 42% dos 25,5 milhões de hectares de perda de cobertura arbórea globalmente em 2025, uma área maior do que o tamanho do Reino Unido.

A perda de cobertura arbórea global diminuiu 14% em 2025, mas os incêndios impulsionaram proporções crescentes de perda nos últimos anos

Embora alguma quantidade de fogo seja normal para ecossistemas temperados e boreais, a mudança climática está piorando as estações de incêndio. A perda devido a incêndios foi especialmente evidente na América do Norte e na Europa, onde as condições quentes e secas contribuíram para temporadas de incêndios florestais particularmente graves.

América do Norte

Incêndios florestais queimaram as florestas boreais do norte no Canadá e no Alasca, bem como partes das Montanhas Rochosas. Incêndios causaram a perda de 5,3 milhões de hectares de cobertura arbórea no Canadá, forçando a evacuação de mais de 80 mil pessoas e expelindo fumaça em partes altamente povoadas dos Estados Unidos e do Canadá.

Incêndios causaram grande parte da perda de cobertura arbórea no Canadá em 2025

A temporada de incêndios de 2025 foi a segunda pior da história canadense, após 2023. Durante os últimos três anos (2023 a 2025), a perda de florestas provocada por incêndios florestais no Canadá foi quase cinco vezes maior do que a média anual de 2001 a 2022. Cientistas sugerem que a mudança climática é o principal motivo.

Há efeitos cascata. Pesquisas mostram que incêndios repetidos podem atrasar ou impedir a regeneração florestal, modificando permanentemente os ecossistemas florestais do Hemisfério Norte. As mudanças climáticas e temperaturas mais quentes também desencadearam surtos de insetos como a lagarta-do-broto-do-abeto, que causou perda florestal no Quebec e em New Brunswick.

Europa

As temperaturas de verão e a seca cada vez mais altas levaram a incêndios florestais grandes em muitas áreas do sul da Europa em 2025, custando vidas humanas, danificando propriedades e impactando habitats da vida selvagem.

Na França, a perda de cobertura arbórea devido a incêndio em 2025 foi a mais alta já registrada – sete vezes maior do que em 2024. Na Espanha e em Portugal, cerca de 60% de toda a perda de cobertura arbórea de 2025 foi causada por incêndio.

Incêndios florestais, bem como surtos de insetos e colheita de madeira, estão ameaçando o sucesso das políticas climáticas da União Europeia (UE), que dependem de florestas para continuarem sendo um sumidouro de carbono. Identificar opções para a produção sustentável de madeira e, ao mesmo tempo, aumentar a resiliência das florestas ao fogo e à seca é fundamental.

Acelerar a ação é essencial para interromper a perda de floresta até 2030

Os dados de 2025 mostram que é possível reduzir a perda de floresta. Quedas significativas no Brasil, juntamente com taxas relativamente baixas ou estáveis de perda florestal na Colômbia, Indonésia e Malásia, destacam como as escolhas políticas, a aplicação da lei e os compromissos corporativos podem melhorar os resultados florestais. Ao mesmo tempo, a alta perda florestal em outras regiões ressalta a necessidade de esforços sustentados e expandidos para evitar a perda florestal.

Com apenas alguns anos restantes para cumprir a meta global de interromper e reverter a perda florestal até 2030, os países precisarão acelerar a ação.

O desmatamento em 2025 foi 70% maior do que o nível necessário para interromper e reverter a perda florestal até 2030

Deixar de atingir essa meta global trará consequências de longo alcance. Níveis elevados ou crescentes de perda florestal levam ecossistemas essenciais para mais perto de pontos de inflexão – limites além dos quais as florestas podem não se recuperar. Em florestas como a Amazônia, o desmatamento e as mudanças climáticas poderiam mudar partes da floresta tropical para um estado degradado, semelhante a uma savana. Perder florestas significa que o mundo perde seu melhor parceiro na proteção da biodiversidade, na interrupção das mudanças climáticas, na manutenção das chuvas, na proteção dos meios de subsistência e da identidade cultural, e muito mais.

Várias histórias em desenvolvimento provavelmente exercerão grande influência nas tendências futuras de perda florestal. As condições esperadas de El Niño em 2026 testarão se os países estão mais bem preparados para prevenir e responder a incêndios em grande escala. Ao mesmo tempo, os desenvolvimentos políticos e financeiros provavelmente moldarão a trajetória da perda florestal, incluindo se a Tropical Forest Forever Facility assegura o investimento necessário e a eficácia com que regulamentos globais, como o Regulamento de Desmatamento da UE (EU Deforestation Regulation, EUDR), são implementados e aplicados.

As decisões em nível nacional também moldarão os resultados florestais. Por exemplo, no Brasil e na Colômbia, as próximas eleições desempenharão papéis fundamentais para determinar se as recentes quedas na perda florestal podem ser sustentadas. Na Indonésia, os esforços para expandir a produção de alimentos e energia por meio do programa Food Estate testarão se as metas de desenvolvimento podem ser alcançadas sem mais desmatamento florestal.

Esses desenvolvimentos moldarão o futuro da perda florestal e, portanto, o futuro das pessoas e do planeta.