Quase uma década atrás, o mundo se uniu em torno do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas e da meta de limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC. Desde então, a “meta de 1,5°C” se tornou a principal referência global para a ação climática – um marco fundamental a partir do qual políticas são definidas e o progresso é avaliado. Mas uma onda alarmante de dados recentes mostra o quão perto estamos de ultrapassar esse limite amplamente citado.

A concentração atmosférica de dióxido de carbono atingiu, no ano passado, seu nível mais alto em 2 milhões de anos. 2024 também foi o primeiro ano em que a temperatura média da superfície do planeta subiu mais de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Embora a meta do Acordo de Paris se refira à média de longo prazo, e não a um único ano, cientistas alertam que podemos estar no início de um rompimentocompleto – e, com isso, enchentes, secas, incêndios e outros impactos climáticos serão cada vez mais perigosos.

Mas, afinal, o que exatamente significa a meta de 1,5°C, como ela foi definida e o que acontece se a ultrapassarmos? Entenda o que é importante saber:

Rickshaw elétrico transporta passageiros em uma rua movimentada na Índia durante o dia
Tuk-tuk elétrico em Nova Délhi, na Índia. O país tem feito avanços significativos na adoção de veículos elétricos como forma de reduzir suas emissões e a poluição do ar (Foto: Pradeep Gaurs/Shutterstock)


De onde veio a meta de 1,5°C?

A meta de 1,5°C do Acordo de Paris reflete décadas de interação entre a ciência do clima e a política climática.

A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, por suas iniciais em inglês), tratado internacional firmado em 1992 para enfrentar a crise climática, não especificava um limite de temperatura. A definição de uma meta surgiu mais tarde, quando estudos científicos, o Conselho Europeu e o G8 inicialmente convergiram para o parâmetro de 2°C acima dos níveis pré-industriais. Os Acordos de Cancún, de 2010, foram os primeiros acordos globais a fazer referência aos 2°C, ao mesmo tempo em que reconheciam a possibilidade de um limite mais rigoroso de 1,5°C.

Na preparação para o Acordo de Paris de 2015, especialistas concluíram que mesmo um aquecimento de 2°C já representava riscos severos. A Aliança dos Pequenos Estados Insulares (AOSIS, por suas iniciais em inglês) e os Países Menos Desenvolvidos (LDCs, por suas iniciais em inglês) fizeram pressão por um limite mais rigoroso durante as negociações do acordo, resultando em um compromisso: os países concordaram em manter o aquecimento a “bem abaixo de 2°C” e “empreender esforços” para limitá-lo a 1,5°C, refletindo o reconhecimento crescente de que cada fração de grau adicional implica riscos mais intensos.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, por suas iniciais em inglês), principal organismo científico global sobre o tema, elaborou um relatório sobre a meta de 1,5°C. O documento revelou um contraste significativo entre os impactos das mudanças climáticas com 1,5°C e com 2°C de aquecimento. Também indicou o que seria necessário para manter-se dentro do limite de 1,5°C.

Como a meta de 1,5°C é utilizada?

Desde sua adoção no Acordo de Paris, em 2015, a meta de 1,5°C tem funcionado tanto como um símbolo retórico poderoso quanto como base para parâmetros técnicos concretos.

Países vulneráveis, ONGs e diplomatas invocam a meta de 1,5°C para destacar o que está em jogo nas negociações climáticas da ONU e em outras decisões políticas. Nações vulneráveis ao clima, como pequenos estados insulares, há muito apresentam o limite de 1,5°C como uma questão de sobrevivência, popularizada no slogan “1,5ºC para continuarmos vivos”. Movimentos de jovens e líderes das Nações Unidas, incluindo o secretário-geral António Guterres, reiteradamente pedem ação urgente para manter a meta de 1,5°C “ao nosso alcance”.

Tecnicamente, a meta de 1,5°C serve de base para uma série de indicadores e avaliações científicas sobre a ação climática. É usada para avaliar o nível de ambição dos compromissos nacionais para o clima (as chamadas “contribuições nacionalmente determinadas” ou NDCs, por suas iniciais em inglês) e das metas corporativas de redução de emissões. Também ajuda os cientistas a estimar o orçamento de carbono restante – ou seja, a quantidade de CO₂ que o mundo ainda pode emitir enquanto mantém o aquecimento limitado a 1,5°C. Os caminhos compatíveis com 1,5°C avaliados pelo IPCC servem de referência para cronogramas de redução de emissões (como o parâmetro global amplamente citado de cortar emissões em 43% até 2030, em relação aos níveis de 2019), prazos para alcançar emissões líquidas zero e metas específicas por setor, como a eliminação do uso do carvão ou a substituição de veículos a combustíveis fósseis por elétricos.

Esses cronogramas e metas, por sua vez, sustentam ferramentas de responsabilização como o Relatório da Lacuna de Emissões, a iniciativa Science-Based Targetse o relatório Estado da Ação Climática (State of Climate Action).

Agricultora queniana colhe repolhos frescos em uma plantação verdejante
Uma mulher cuida de suas couves em uma área rural do Quênia. Pequenos agricultores costumam estar na linha de frente dos impactos das mudanças climáticas. (Foto: James Karuga/Shutterstock)

Como saber se ultrapassamos o limite de 1,5°C?

O Acordo de Paris estabelece como objetivo “manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais e trabalhar para limitar esse aumento a 1,5°C”. Para saber se ultrapassamos esse limite, é importante primeiro definir alguns termos:

  • A temperatura média globalrefere-se à “estimativa da média global das temperaturas do ar próximas à superfície sobre terras e calotas de gelo, e da temperatura da superfície do mar em regiões oceânicas sem gelo”. Essa estimativa é baseada em medições de temperatura feitas por estações meteorológicas, navios e boias ao redor do mundo usadas para calcular um valor médio global (algumas regiões, principalmente em terra firme, tendem a aquecer mais do que a média, enquanto outras aquecem menos.)
  • Embora o Acordo de Paris não defina explicitamente o que são os “níveis pré-industriais”, cientistas em geral, como os do IPCC, consideram o período de 1850 a 1900 como referência. Esse intervalo marca o início de registros confiáveis de temperatura global.
  • A temperatura média global atual é comparada às condições desse período no passado. A diferença entre os dois valores é chamada de anomalia de temperatura.

Por convenção científica, a meta estabelecida no Acordo de Paris refere-se a uma anomalia de temperatura sustentada por um período de pelo menos 20 anos. Essa abordagem ajuda a suavizar os efeitos das flutuações anuais de temperatura causadas por fatores como El Niño/La Niña, atividade vulcânica e mudanças na circulação oceânica, oferecendo uma estimativa mais precisa do aquecimento causado por atividades humanas. Os cientistas costumam avaliar se a média de longo prazo excederá 1,5 °C em algum momento do século 21, e especificamente no ano de 2100. Se o aquecimento ultrapassar temporariamente esse limite e depois cair novamente até o final do século, isso é chamado de “ultrapassagem” (overshoot).

Com base nessa abordagem, o ano em que um determinado limite de temperatura é ultrapassado corresponde ao ano central do período de 20 anos. Como explica a Organização Meteorológica Mundial (OMM), “o aquecimento de 1,5 °C só será confirmado quando a temperatura observada atingir esse nível ao longo de um período de 20 anos – ou seja, 10 anos após o ano em que foi excedido. Assim, haverá um atraso de 10 anos no reconhecimento e na reação ao excedente da meta de temperatura de longo prazo”. A comunidade científica tem avaliado métodos alternativos que permitam confirmar o ano de ultrapassagem com menos atraso.

A Terra já ultrapassou 1,5°C de aquecimento?

Sim, mas ainda não ultrapassou oficialmente a meta de temperatura do Acordo de Paris.

2024 foi o primeiro ano completo em que a temperatura média global superou 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais, com uma anomalia estimada de 1,55°C. Isso dá continuidade a um padrão preocupante: os 10 anos mais quentes já registrados ocorreram todos a partir de 2015. Antes de 2024, nenhum ano inteiro havia apresentado uma anomalia tão elevada – embora já tivessem ocorrido períodos mais curtos, como dias, semanas ou meses, em que a temperatura ultrapassou temporariamente 1,5°C. A OMM prevê 70% de chance de que a média dos próximos cinco anos ultrapasse 1,5°C.

 

 

É importante destacar que um único ano extremamente quente não significa que a meta do Acordo de Paris foi ultrapassada ou que não possa mais ser alcançada. Atualmente, a anomalia média global de temperatura de longo prazo é estimada entre 1,34°C e 1,41°C, dependendo do método utilizado.

Ainda assim, dois estudos recentes de modelagem climática indicam que as temperaturas elevadas do ano passado provavelmente significam que o mundo já entrou no período de 20 anos em que a anomalia média de temperatura ultrapassará o limite de 1,5°C.

O que acontece se ultrapassarmos 1,5°C de aquecimento?

Nos níveis atuais de aquecimento, entre 1,34°C e 1,41°C, já estamos enfrentando ondas de calor, incêndios florestais, tempestades e enchentes com maior frequência e intensidade. A segurança alimentar e hídrica está cada vez mais sob pressão. Ecossistemas como os recifes de coral estão sofrendo danos irreversíveis. Ultrapassar 1,5°C, mesmo que apenas temporariamente, intensifica os riscos associados a esses e outros impactos.

De acordo com o IPCC, mesmo um aquecimento de 1,5ºC deixaria quase um bilhão de pessoas em situação de estresse hídrico e expostas à desertificação, geraria custos estimados em US$ 63 bilhões em adaptação e danos residuais às principais culturas agrícolas, além de colocar 14% das espécies em risco de extinção. Cerca de 24% mais pessoas enfrentariam inundações em comparação aos níveis históricos, haveria uma redução de 70% a 90%, nos recifes de corais e cada vez mais casos de malária.

Esses mesmos impactos climáticos podem ficar ainda mais intensos se ultrapassarmos o limite de 1,5°C. Em um cenário de 2°C de aquecimento, por exemplo, pode haver o dobro de ondas de calor no sul da África, uma área 1,6 maior queimada em incêndios florestais na Europa Mediterrânea e US$ 17 bilhões a mais em danos residuais e custos de adaptação para as principais culturas agrícolas. Esse cenário também levaria, na prática, à destruição total dos recifes de corais. Ondas de calor extremas se tornariam cada vez mais comuns, com impactos severos sobre a saúde humana e a produtividade, principalmente em cidades da África e do sul da Ásia.

Ultrapassar 1,5 °C de aquecimento também eleva o risco de cruzarmos limites decisivos, a partir dos quais partes do sistema terrestre podem sofrer mudanças abruptas, contínuas e potencialmente irreversíveis. As camadas de gelo da Groenlândia e da Antártida Ocidental, por exemplo, correm o risco de colapsar, agravando a elevação do nível do mar e afetando as correntes oceânicas. Recifes de corais em regiões tropicais podem desaparecer por completo, o que representaria uma perda devastadora para a biodiversidade e para os meios de subsistência de comunidades que dependem da pesca. O permafrost boreal pode descongelar rapidamente, liberando grandes quantidades de metano (um dos mais potentes gases de efeito estufa) na atmosfera.

Esses sistemas já correm risco de atingir limites críticos com um aquecimento em torno de 1,5°C. Com temperaturas mais altas, outras calotas polares, correntes oceânicas e ecossistemas inteiros também podem entrar em colapso. Muitos desses limites representam pontos de inflexão – transições de um estado estável para outro –, como a possível transformação da floresta amazônica em savana. Uma vez iniciadas, torna-se muito difícil ou até impossível reverter essas transformações em escalas de tempo humanas.

A conclusão é que, a cada fração adicional de grau de aquecimento, os impactos se tornam mais difíceis ou mesmo impossíveis de serem contornados. É isso que se chama de perdas e danos. Essas perdas podem ser econômicas (como a redução de setores inteiros e a consequente perda de empregos e meios de subsistência), mas as mais difíceis de enfrentar costumam ser aquelas que não podem ser quantificadas financeiramente – como a perda de locais de sepultamento, casas familiares ou entes queridos.

Ainda é possível limitar o aquecimento a 1,5°C?

Em teoria, ainda é fisicamente possível evitar o esgotamento do orçamento de carbono necessário para limitar o aquecimento a 1,5°C, por meio de uma redução de emissões rápida e contínua. No entanto, a viabilidade de executar as transformações na velocidade e na escala necessárias é uma outra questão.

O relatório do IPCC de 2022 sobre mitigação das mudanças climáticas identifica trajetórias possíveis para limitar o aquecimento a 1,5°C com ultrapassagem nula ou limitada. Essas trajetórias exigem “reduções rápidas e profundas e, na maioria dos casos, imediatas de gases de efeito estufa em todos os setores”. Especificamente, as emissões teriam de atingir o pico antes de 2025 e cair 43% até 2030 (em relação aos níveis de 2019) e 60% até 2035. As emissões de CO₂ precisariam atingir o zero líquido por volta de 2050, antes que o orçamento de carbono se esgote. Na prática, isso envolve eliminar progressivamente o uso de combustíveis fósseis sem captura de carbono, ampliar a geração de energia limpa e os meios de transporte sustentáveis, eletrificar o setor de transportes e a indústria, além de acabar com o desmatamento. Também seria necessário aumentar em grande escala a remoção de carbono da atmosfera, tanto por meio da absorção por árvores quanto com o uso de tecnologias.

O problema é que não estamos seguindo essas trajetórias. O relatório State of Climate Action constatou que, dos 42 marcos essenciais para limitar o aquecimento a 1,5°C, apenas um – a parcela de veículos elétricos no total de vendas de veículos leves – está atualmente no caminho certo para cumprir as metas de 2030. Apesar dos avanços na capacidade de energia renovável e nas vendas de veículos elétricos, quase 80% da energia global ainda vem de combustíveis fósseis, o mundo está queimando mais carvão do que nunca e o desmatamento continua em ritmo alarmante. As usinas de carvão e gás seguem em expansão.

Como resultado, o mundo ainda emite 42 GtCO₂ por ano (e outros 14 GtCO₂e de GEE adicionais). O orçamento de carbono restante para limitar o aquecimento a 1,5°C é de 130 GtCO₂, o que será consumido em pouco mais de três anos se as emissões se mantiverem nos níveis atuais.

Em termos simples e aproximados, um caminho linear das emissões de CO2 de 2024 até o zero líquido, permanecendo dentro do orçamento de carbono restante, exigiria a redução de quase 6 Gt de CO2 por ano, começando imediatamente e mantendo essa taxa ao longo da década. Para comparação, o choque econômico causado pela pandemia de Covid-19 levou a uma redução de apenas 2 Gt em 2020 – e essa queda foi temporária.

Manter cortes contínuos de emissões dessa magnitude exigiria uma liderança política e corporativa sem precedentes, apoiada pela população, resultando em uma transformação estrutural abrangente e coordenada entre setores e economias. Há poucas evidências de que uma transformação tão profunda esteja prestes a começar num futuro próximo. Um estudo recente apontou que, embora ainda seja teoricamente possível limitar o aquecimento a menos de 1,6°Cm, com cerca de 50% de probabilidade, essa chance cai para entre 5% e 45% quando consideradas as barreiras institucionais e outros obstáculos.

Todos esses fatores sugerem que as temperaturas médias de longo prazo provavelmente ultrapassarão 1,5°C, ao menos temporariamente. A magnitude e a duração desse excesso, no entanto, são pontos ainda em aberto.

Devemos estabelecer uma nova meta caso o limite de 1,5°C seja ultrapassado?

Com o aumento do ceticismo quanto à viabilidade da meta de 1,5°C, alguns cientistas têm proposto redirecionar o foco para limitar o aquecimento a “bem abaixo de 2°C” ou retornar a 1,5°C após um excesso temporário. Mas adotar novas metas, compatíveis com um aquecimento maior, traz outro desafio: se baseadas nos cenários de modelagem disponíveis hoje, essas metas levariam a uma redução de emissões mais lenta e à eliminação dos combustíveis fósseis mais tarde do que o planejado – uma resposta ineficaz diante de impactos climáticos cada vez mais severos.

Ao mesmo tempo, nossa retórica precisa refletir a realidade em evolução. Se o aumento médio de temperatura global de longo prazo ultrapassar 1,5°C, deixará de fazer sentido estruturar a ação climática para “evitar ultrapassar o limite de 1,5°C”. Em vez disso, poderemos falar em minimizar o excesso, estabilizar a temperatura no nível mais baixo possível e evitar o máximo de aquecimento que conseguirmos, para proteger vidas e economias.

Assentamento informal em Joanesburgo com casas construídas com materiais reaproveitados
Menina carrega água em um assentamento informal em Joanesburgo, na África do Sul. Muitas cidades africanas enfrentam calor extremo, escassez hídrica e outros impactos das mudanças climáticas. (Foto: Joe Eldridge/Alamy Stock Photo)

O que devemos fazer se o aquecimento passar de 1,5°C?

Se o limite de 1,5°C deixar de ser alcançável, o mundo ainda precisará fazer rigorosamente o mesmo que deveria estar fazendo hoje: reduzir as emissões o mais rápido possível, ampliar os mecanismos de remoção de carbono e intensificar os esforços de adaptação. Como o aquecimento continuará aumentando até que as emissões de CO2 cheguem ao zero líquido, a redução das emissões líquidas continuará sendo essencial. E, como a maioria dos planos de adaptação já contempla a possibilidade de ultrapassar 1,5°C, é mais importante garantir a implementação desses planos do que desenvolver novos para cenários com temperaturas mais elevadas.

Ultrapassar 1,5°C de aquecimento, no entanto, amplia a escala e acelera o ritmo das ações necessárias, podendo também introduzir novos riscos e dilemas. Por exemplo, quanto mais ultrapassarmos o orçamento de carbono, maior será a quantidade de CO2 que precisará ser removida da atmosfera, exigindo investimentos maiores em remoção de carbono. Embora a maioria dos planos de adaptação já leve em conta temperaturas mais altas, atingi-las antes do previsto encurta o tempo de planejamento. Falhar em acompanhar esse ritmo pode elevar os custos, resultar em adaptação inadequada ou até aumentar o risco de soluções mal aplicadas. O mundo também terá de se preparar para enfrentar níveis mais altos de perdas e danos, os impactos das mudanças climáticas que vão além da capacidade de adaptação das pessoas. Por fim, ultrapassar a meta de temperatura estabelecida pode dar mais visibilidade às abordagens controversas de modificação da radiação solar (SRM), que visam resfriar temporariamente o planeta refletindo a luz solar. Embora a SRM seja arriscado e ainda não testada, seu custo direto relativamente baixo e o potencial de conter o aquecimento de curto prazo podem levar a iniciativas unilaterais de implementação, o que exigiria maior governança e supervisão preventiva.

E, embora seja cada vez mais provável que ultrapassemos 1,5°C de aquecimento, a extensão e a duração do aquecimento, assim como seus impactos, continuam sob nosso controle. Conter o pico de aquecimento exigirá cortes profundos e contínuos de emissões, manutenção e ampliação de sumidouros de carbono e o fortalecimento da resiliência. Alcançar esses resultados depende não apenas de fatores geofísicos e tecnológicos, mas também de uma mudança significativa na liderança política e empresarial. Líderes devem criar as condições econômicas certas para impulsionar tecnologias limpas, adotar políticas públicas que estimulem investimentos em redução de emissões e resiliência e garantir que a população entenda os benefícios econômicos e sociais do desenvolvimento de baixo carbono.

Em última análise, cada fração de grau conta. As decisões tomadas hoje continuarão moldando os riscos climáticos para as próximas gerações.


Este artigo foi publicado originalmente no Insights.