Coordenado pelo WRI Brasil, o segundo encontro da Plataforma e-FAST Brasil contou com 64 participantes e deu continuidade à construção de um espaço estratégico para a eletrificação do transporte de carga no país.

Com o tema “infraestrutura e regulação de energia”, o evento abordou aspectos centrais para a eletrificação de veículos de carga e deu sequência às discussões iniciadas no primeiro encontro, que tratou do potencial dos corredores verdes para a adoção de caminhões elétricos no Brasil.

Durante a abertura, Mariana Barcelos, coordenadora de Descarbonização do Transporte do WRI Brasil, destacou o caráter colaborativo da plataforma e o avanço alcançado desde o encontro anterior: “Queremos fortalecer este espaço de troca entre os setores público e privado, integrando as perspectivas de cada ator do ecossistema da eletrificação."

A coordenadora de Transição Energética da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Djane Melo, detalhou desafios para eletrificação, como a necessidade de coordenação entre setores elétrico e de transporte e as barreiras regulatórias. 

Regulação e infraestrutura: o papel do setor elétrico na transição

Junto à Aneel, os representantes da ANTT, C40 Cities e Vibra Energia debateram os desafios e oportunidades da expansão da infraestrutura de recarga para veículos de carga no Brasil.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), representada pela gerente de Sustentabilidade e Inovação, Claude Araújo, abordou o conceito de corredores logísticos sustentáveis, que amplia a ideia de “corredores verdes” ao incluir critérios sociais, ambientais e de resiliência – como pontos de parada para caminhoneiros com conexão à internet, passagens de fauna, preservação da vegetação nativa e estudos para adaptação da infraestrutura a eventos climáticos.

O gerente sênior de Relações Públicas para Veículos de Emissão Zero na América Latina do C40 Cities, Thiago Vieira, compartilhou experiências de implantação de eletropostos públicos nas cidades do Rio de Janeiro e Curitiba, que vêm servindo de referência para a expansão urbana da infraestrutura de recarga e a integração com empresas de logística.

“No Rio, já temos um eletroposto em via pública operando desde fevereiro [...] com seis carregadores rápidos. [...] A cidade tem o compromisso de escalar até 15 eletropostos públicos até 2028”, afirmou Thiago.

Márcia Loureiro, gerente de Eletromobilidade da Vibra Energia, relatou o esforço da empresa em adaptar sua rede de postos à nova realidade da eletromobilidade, conciliando os investimentos em eletropostos com os custos de operação e a baixa taxa de uso inicial. E defendeu a importância de previsibilidade e parcerias para viabilizar o modelo de negócio, destacando que os postos de combustível continuarão sendo espaços estratégicos para o abastecimento elétrico em longas distâncias.

Roteiro de eletrificação para o setor

Os participantes conheceram em primeira mão a estrutura do Roteiro para Eletrificação do Transporte de Carga que será lançado pela e-FAST Brasil. Trata-se de um guia prático destinado a apoiar empresas que estão em processo de transição para frotas elétricas. Estruturado em dez etapas, o documento abrange desde o diagnóstico de políticas públicas e disponibilidade de veículos até a modelagem financeira, capacitação de motoristas, monitoramento de operações e destinação de baterias ao fim da vida útil.

Imagem da prévia por Célio Messias / Governo do Estado de SP