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Andrew Steer encontra Gisele Bündchen e explica como uma dieta sustentável ajuda a combater o desmatamento

Estima-se que mais dois bilhões de pessoas habitem a Terra até 2050. Com mais gente no planeta, é possível prever um crescimento considerável na produção de alimentos. Para que isso aconteça, o modelo produtivo atual exigirá mais solo para agricultura e pecuária, o que aumentará consequentemente a presença de gases do efeito estufa (GEE) na atmosfera. Em todo o mundo, os setores de mudança do uso do solo (o qual inclui o desmatamento) e agropecuário representam 24% das emissões globais de carbono. Somente nos Estados Unidos, que é o segundo país emissor de GEE, a produção e o consumo de alimentos já respondem por 9% das emissões nacionais.

Um sistema de produção e uma dieta sustentáveis têm alto impacto no objetivo de mitigar as emissões globais de GEE. A boa notícia é que produzir e comer alimentos sustentáveis deixou de ser uma ideia marginal de uns anos para cá no mundo todo. Em entrevista à modelo brasileira Gisele Bündchen para a série O Planeta em Perigo, o presidente e CEO do World Resources Institute (WRI), Andrew Steer, afirmou que não podemos controlar o aquecimento global sem parar o desmatamento – e não podemos parar o desmatamento sem mudar a maneira como nossos alimentos são produzidos.


Terceiro episódio da segunda temporada da série O Planeta em Perigo, que foi transmitido no domingo (27) pelo canal National Geographic

Em artigo recente, Steer afirma que o caminho para um futuro de produção e alimentação sustentáveis exigirá tanto uma abordagem de cima para baixo, em que o poder público e a iniciativa privada precisarão instrumentar e operar a mudança, como de baixo para cima, em que todos nós poderemos agir mudando o que consumimos.

“Quando a conheci, Gisele acabara de voltar do Brasil e falou sobre sua jornada para reduzir o consumo de carne de gado em sua família. No WRI, descobrimos que a produção de carne e laticínios responde por quase 85% das emissões de GEE provenientes da dieta dos cidadãos dos EUA, sendo quase a metade dessas emissões relacionadas somente à carne. Uma mudança para uma alimentação mais baseada em vegetais pode ter um impacto positivo”, destaca o presidente e CEO do WRI

Steer ressalta ainda que empresários e inovadores no ramo dos alimentos testam novos produtos e soluções, tais como hambúrgueres vegetais que parecem, tem cheiro e sabor de carne. Enquanto isso, pesquisadores agrícolas desenvolvem sistemas de produção de baixo carbono, como uma mistura para a alimentação do gado ou gramíneas que reduzem o metano, um potente agravante para o efeito estufa, do processo digestivo dos animais.

Área desmatada da floresta amazônica próxima a Manaus (AM). (Foto: Neil Palmer-CIAT/Flickr)

Área desmatada da floresta amazônica próxima a Manaus (AM). (Foto: Neil Palmer-CIAT/Flickr)

O Brasil é um dos países que mais desmata suas florestas. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a taxa de desmatamento entre agosto de 2014 e julho de 2015 apenas na Amazônia Legal era de 620 mil hectares por ano, uma área um pouco maior que o território do Distrito Federal. A pecuária é o principal vetor de desmatamento na região. O país possui o maior rebanho bovino do mundo – 214 milhões de cabeças – e é um dos maiores produtores e consumidores de carne de gado. No ano passado, a produção atingiu 9,2 milhões de toneladas, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em 2015, o Brasil foi o quinto principal consumidor de carne de gado e vitela do planeta. O consumo foi de 24,2 quilos per capita, de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

“Todos precisamos assumir a responsabilidade de como vivemos e do impacto que temos em nosso mundo”, diz Gisele

A modelo brasileira é uma das celebridades que participam da série do National Geographic e que tentam responder o que precisa mos fazer para salvar o planeta em que vivemos. Ela foi até a Amazônia para mostrar o que vem sendo feito para salvar a imensa região, que sofre ameaças cada vez maiores, como seca, desmatamento, construção de hidroelétricas e avanço da agropecuária. O episódio apresenta a opinião de políticos, ativistas e povos indígenas que tentam proteger a floresta tropical.

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